Os desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil

Enviada em 19/08/2024

A pintura à óleo “Descobrimento do Brasil” do artista brasileiro Cândido Portinari ilustra a chegada dos portugueses em terras nacionais e a inquietação do povo indígena quanto ao inusitado. Nesse contexto, o desbravamento da “Terra de Santa Cruz” não se limitaria à cordialidade do momento, mas passaria por séculos de aculturação e subjugação, talvez premeditada pela agitação desse povo na tela em questão. Assim, fora do tablado artístico, a preservação do patrimônio histórico e cultural no Brasil enfrenta desafios, tais como a globalização e o consequente apagamento das identidades.

Nessa perspectiva, primeiramente, a comunidade global hodierna está em processo do chamado “globalismo”, o qual se caracteriza pela intensificação da massificação cultural, resultando na diluição das idiossincrasias regionais. Dessa maneira, o geógrafo brasileiro Milton Santos retrata no livro “Por Uma Outra Globalização” as dificuldades enfrentadas por regiões (am especial, as em desenvolvimento), cujos costumes foram suplantados pela cultura global, acarretando desigualdades. Assim sendo, o saldo desse quadro se constitui no soerguimento de barreiras (como a aculturação) para a perservação do patrimônio brasileiro (culinária, costumes, música, história) .

Ademais, como consequência desse processo, dá-se início à rarefação das identidades e da ideia de pertencimento. Nesse cenário, a filósofa brasileira Márcia Tiburi afirma que a perda da subjetividade permite que terceiros tenham juízo de valor que ditem o que o indivíduo é. Desse modo, de forma abrangente, o apagamento da identidade cultural e histórica de um povo pode abrir espaço para sobreposição de uma cultura dominante. Nesse sentido, os desafios para a preservação do patrimônio material e imaterial brasileiro resulta na ruptura com a ideia de nacionalidade e o “estrangeiro” toma espaço cultural, como no cinema.

Portanto, os empecílios para a conservação patrimonial da história e da cultura brasileira devem ser desfeitos. Assim, o Estado e a sociedade devem conciliar a globalização e a cultura nacional sem, no entanto, perder a individualidade local. Isso será feito, por meio da valorização do cinema, da música, da culinária, dos costumes e da história nacionais, tendo em vista uma outra globalização, justa.