Os desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil
Enviada em 29/10/2024
" Ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação". Nesse trecho da música " Que país é este", da banda Legião Urbana, há a denúncia acerca de diversos problemas sociais. Na realidade brasileira isso pode ser evidenciado à medida em que a negligência governamental e a alienação social perpetuam-se como entraves para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil.
Diante desse cenário, pode-se apontar como um fator determinante a negligência governamental. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto à preservação do patrimônio histórico, visto que o governo não tem investido em políticas públicas bem estruturadas que visem garantir a preservação de espaços históricos e culturais, os quais representam importantes aspectos da identidade nacional. Assim, para que esse bem-estar seja usufruído pela população, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra.
Além disso, conforme o conceito de ‘Banalidade do Mal’, trazido pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre com frequência, a sociedade passa a vê-la como banal. Nesse contexto, evidencia-se a alienação social em relação à preservação dos patrimônios históricos, configurando uma trivialização da maldade — o que, para Arendt, ocorre quando falta reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Assim, percebe-se que a população tem normalizado a perda de diversos bens e espaços culturais, como, por exemplo, o incêndio do Museu Nacional em fevereiro de 2018. Como consequência, a sociedade brasileira continua a perder espaços e bens importantes que contam a história do país.
Portanto, percebe-se urgência em resolver todos os desafios relacionados à preservação do patrimônio histórico brasileiro. Para isso, é fundamental que o governo federal, mais especificamente o Ministério da Cultura, crie uma proposta de ampliação da verba orçamentária anual destinada à criação de projetos de preservação da identidade brasileira. Tal proposta deve ser efetivada por meio de uma votação feita por deputados e senadores, pois são responsáveis pela alteração da lei orçamentária. Isso deve ocorrer a fim de que toda a sociedade tenha sua cultura preservada.