Os desafios para a redução da jornada de trabalho e para a garantia de qualidade de vida aos brasileiros

Enviada em 08/09/2026

O filme “Que Horas Ela Volta?”, de 2015, retrata a rotina de uma empregada do-

méstica que, apesar de exercer um trabalho essencial, é submetida a uma realida-de marcada pela exploração e pela limitação de seu tempo pessoal. Nesse viés, a vivência da narrativa ganha verossimilhança, tendo em vista que, no Brasil é notó-

rio que ainda há uma realidade marcada pela sobrecarga de trabalho, a qual com-

promete o equilíbrio entre as atividade profissionais e a vida pessoal. Desse modo, convém ressaltar que a resistência do setor produtivo e a comprometida qualidade de vida dos trabalhadores configuram desafios para a superação desse cenário.

Em primeiro plano, a resistência do setor produtivo atua como um entrave à redu-

ção da jornada de trabalho. De acordo com a Revolta das Panelas, ocorrida em 1930, em Fordlândia, trabalhadores se rebelaram contra as rígidas condições im-

postas pela companhia de Henry Ford. Nesse contexto, o episódio evidencia como a priorização da produtividade pode se sobrepor às necessidades dos trabalhado-

res. De forma análoga, parte do setor produtivo ainda associa a redução da jornada à queda do rendimento e ao aumento de custos, dificultando a implementação de mudanças nas relações laborais.

Além disso, a comprometida qualidade de vida dos trabalhadores constitui outro obstáculo para a efetivação de uma rotina laboral mais equilibrada. Segundo a so-

cióloga Arlie Russel, em sua obra The Time Bind, as exigências profissionais podem ocupar espaço significativo na vida dos indivíduos, interferindo no convívio familiar e no tempo pessoal. Nesse sentido, a extensa jornada reduz o período destinado ao descanso, ao lazer e às relações sociais, fazendo com que o trabalho ultrapasse o ambiente profissioal. Dessa forma, o desequilíbrio entre vida profissional e pes-

soal compromete o bem-estar dos trabalhadores.

Conclui-se, então, que é preciso superar os desafios relacionados à jornada de tra-

balho e à qualidade de vida dos brasileiros. Com isso, cabe ao Ministério do Traba-

lho e Emprego, orgão responsável pela fiscalização das relações trabalhistas, pro-

mover medidas que incentivam a redução gradual da jornada, por meio do fortale-

cimento da fiscalização das horas trabalhadas e do diálogo com o setor produtivo, a fim de garantir condições laborais mais dignas aos trabalhadores.