Os desafios para a redução da jornada de trabalho e para a garantia de qualidade de vida aos brasileiros

Enviada em 28/08/2026

A Constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6° o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado quando se observam jornadas laborais extensas, tornando-se um desafio viabilizar a qualidade de vida aos trabalhadores, dificultando, desse modo, a garantia desse direito social tão importante. Nessa perspectiva, é imprescindível a análise da inércia do Estado em relação à aprovação de leis que reduzam essas jornadas exaustivas de trabalho e a normalização, no mundo digital, de que o trabalho, sem descanso, é garantia de sucesso financeiro. Em um primeiro momento, deve-se ressaltar a falta de medidas governamentais para combater o excesso de trabalho. Nesse sentido, têm-se o projeto “Vida Além do Trabalho”, idealizado pelo vereador Rick de Azevedo pelo fim da escala 6x1 parado no Congresso, sem data para aprovação. Esse projeto propõe um dia a mais de descanso, sem prejuízo financeiro, o que acarretaria em uma melhor qualidade de vida para os colaboradores. Essa conjuntura, segundo a obra “O Cidadão de Papel” do escritor e jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, os direitos são assegurados em um plano teórico, mas não, de fato, na prática.

Ademais, é fundamental apontar a normalização de incansáveis horas-extras, nem sempre remuneradas, com a pseudo garantia de sucesso como impulsionadora do problema. Segundo, o empresário brasileiro Tallis Gomes, “é necessário trabalhar enquanto eles dormem”, porém, o que se vê com essa prática é o aumento de casos de burnout, síndrome de estresse excessivo no ambiente de trabalho, e na maioria dos casos, um não reconhecimento, já que funcionário doente não produz. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade do Ministério da Trabalho, por intermédio de campanhas em comércios , indústrias, principalmente às empresas que aderem a escala 6x1, alertar sobre os riscos de extensas jornadas de trabalho, conscientizando os empregadores, a fim de, possibilitar uma melhora de vida para os seus colaboradores. Assim, se tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.