Os desafios para a redução da jornada de trabalho e para a garantia de qualidade de vida aos brasileiros

Enviada em 08/10/2026

No filme “Que horas ela volta?”, Regina Casé protagoniza uma empregada doméstica que mora há anos na casa em que trabalha, e que para isso não podê criar sua filha. Fora da dramaturgia, esse é um cenário atual: pais que não tem tempo para passar com a família, frente as longas jornadas de trabalho. Isso ocorre devido à desigualdade social e à omissão estatal.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a desigualdade social é um dos fatores principais que corroboram na dificuldade de reduzir a jornada de trabalho. Isso porquê, a ampla parcela da população que é prejudicada por ela, não vê outra escolha que não seja estar disposta a trabalhar excessivamente. A respeito disso, Jéssica que é filha da protagonista no filme citado, questiona o motivo de a mãe não a ter criado. Todavia, a resposta está sobretudo na tentativa de oferecer melhores condições de vida; de sair da vulnerabilidade; de ter saneamento básico; de proporcionar moradia e alimento. Ou seja, de superar um sistema que desassiste as pessoas de baixa renda e as segregam socialmente.

Paralelo a isso, há também uma grande inação por parte do governo, que permite a perpetuação da problemática, visto que não dispõe de melhorias efetivas pensadas no cotidiano do trabalhador. É sabido que de acordo com a Constituição Federal de 1888, o Estado deve assegurar que os cidadãos vivam com qualidade de vida. Entretanto, não é o que ocorre nos lares brasileiros, uma vez que o indíviduo passa mais tempo fora e longe de casa, do que de fato usufruindo da convivência e do lazer em comunidade. Urge então que medidas sejam executadas, a fim de mudar as dinâmicas laborais contemporaneas de modo que consequentemente sobre tempo para as atividades pessoais.

Torna-se evidente, portanto, que o governo federal - instância máxima da administração pública - deve junto ao Ministério do Trabalho, criar um projeto de lei que diminua as horas semanais trabalhadas sem diminuir o salário dos funcionários. Isso deve ser feito por meio de verbas públicas e em âmbito nacional. E então, a população seria beneficiada com direito de viver além do trabalho, com descanso e mais folêgo de vida.