Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 23/10/2021
Durante o século XX, as vanguardas europeias revolucionaram a forma de se fazer arte, ao propor novos olhares e sentidos para as produções. Sob essa ótica, a arte urbana surge como uma nova forma de fazer arte na contemporaneidade, possibilitando novos olhares sobre a paisagem das cidades. No entanto, o preconceito e o desconhecimento quanto a importância desse movimento são entraves para o reconhecimento da arte de rua no Brasil. Assim, deve-se refletir acerca dos desafios para valorização da arte urbana na sociedade brasileira como uma urgente pauta social.
Nesse contexto, analogamente a frase do filósofo Voltaire ”Preconceito é uma opinião sem conhecimento”, uma parcela da sociedade brasileira discrimina a arte de rua por desconhecê-la. Nesse sentido, essa expressão artística é, por vezes, associada erroneamente a vândalos e “pichadores”, tratando as produções como pichações e poluição visual da cidade. Além disso, por ela ser praticada por vários indivíduos marginalizados pela sociedade, uma parcela mais elitizada da sociedade brasileira tende a ser contrária a essas obras, uma vez que a julgam como suja ou inferior por vir de uma parte mais humilde do Brasil. Dessa maneira, é claro o obstáculo oferecido pelo preconceito no avanço da arte urbana.
Nessa perspectiva, para Émile Durkheim a arte tem um papel fundamental na análise de uma realidade, refletindo aspectos fundamentais do meio que foi produzida. No entanto, no Brasil, tal faceta da arte não é notada por vários indivíduos, em especial no que se refere a arte produzida nas ruas. Nesse viés, muitos brasileiros desconhecem a potencialidade dessa manifestação artistica para criticar e escarnar problemas sociais vigentes, como a violência e discriminação, fazendo parte da populção ver essas obras como supérfluas ou desimportantes. Ademais, em decorrência desse desconhecimento muitos artistas urbanos tem seu trabalho menosprezado, o que gera dificuldades para que ele continue produzindo, já que ele tende a receber menos por suas obras. Desse modo, é evidente a necessidade de visibilizar a arte de rua.
Depreende-se, portanto, que a discriminação aliada a falta de visibilidade são profundos entraves para valorização da arte urbana no Brasil. Logo, é imperioso que o Ministério da Cultura promova cursos por meio de palestras educativas com o intuito de instruir a população acerca da grande potencialidade da arte urbana enquanto objeto cultural. Destarte, essas obras poderão alterar a realidade e serem valorizadas tal qual as vanguardas europeias.