Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 14/02/2021
A arte urbana representa um grande patrimônio para o Brasil, entretanto, ela não é devidamente valorizada, uma vez que muitos grafites e pinturas fora de telas, por exemplo, são consideradas vandalismo. Essa concepção é errônea, e invalida a necessidade e a importância das manifestações artísticas nas cidades. Desta forma, estigmas e acepções erradas contribuem para a má qualificação dessa expressão cultural, dando sentido somente estético ao saber artístico, representando, assim, uma ameaça a apreciação das obras citadinas no país, devendo, portanto, serem combatidas.
Em primeira instância, a convicção comum de que trabalhos em spray é apenas uma forma de pichação permite a perpetuação de um senso comum de que artes em muros e paredes demonstram uma poluição visual das cidades, sendo supostamente, um crime. Todavia, a pichação é um tipo de vandalismo marcado pela impressão de signos em ambientes não permitidos pela prefeitura, sendo portanto, diferente do grafite, que expõe uma manifestação artística que visa exercer um propósito social, de forma vital para a conscientização popular. Um exemplo dessa situação é o personagem Bolinho, um grafite de origem belorizontina criado por Maria Raquel Bolinho, que, com cores chamativas, atrai os pedestres e motoristas, objetivando incentivar a cultura antistress, tranquilizando os espectadores e incentivando a arte em locais abertos.
Ademais, o improcedente juízo de que a exibição criativa deve ser motivada em função da aparência e da complexidade é um conceito que é desconstruído há séculos, com destaque às vanguardas europeias no século XX, que atribuíram um novo sentido a o que deve ser considerado arte. Já no século XXI, embora diversos intelectuais conservadores propaguem a ideia da perfeição estética para as ciências artísticas, numerosas novas maneiras de produzir obras, como o fenômeno internacional Gachimuchi. Essa tendência cinematográfica é atestada por modelos masculinos de roupas íntimas lutando por algum conflito fictício, e possuem cerca de 20 minutos por vídeo, o que permite a dinamicidade de seus enredos. É comum que atores brasileiros, como Ricardo Milos, participem desses curtas e fiquem conhecidos amplamente na internet, o que gera visibilidade aos artistas nacionais, exprimindo, por isso, importância na valorização cultural advinda das cidades no Brasil.
Em conclusão, para que haja o enaltecimento da arte urbana brasileira é necessário implementar campanhas de conscientização acerca da notoriedade artística na sociedade. Estas campanhas devem ser de autoria do Ministério da Cultura e do Turismo, e veinculadas por meio das redes sociais, visando atingir um maior número de pessoas, além de serem fornecidos incentivos monetários para garantir efetividade do programa.