Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 06/02/2021

O filósofo Nietzsche defende que " a arte existe para impedir que a realidade nos destrua".Sob esse viés, percebe-se uma influência artística positiva no pensamento e na vida social dos cidadãos, no entanto encontra-se diversos desafios para concretizar a valorização da arte urbana brasileira devido à mentalidade retrógrada da sociedade e ao silenciamento em torno da questão.Dessa forma, torna-se necessário mitigar tais entraves em prol da construção de um Brasil mais culto.

Em primeiro plano, cabe apontar que o principal desafio a ser combatido é a lenta mudança do pensamento da população.A esse respeito, o filósofo Schopenhauer afirma que o campo de visão limitado de uma pessoa determina o seu entendimento a respeito do mundo.Nessa lógica, muitas pessoas carregam inúmeros preconceitos e estigmas sobre as representações da arte urbana, visto que elas são produzidas, geralmente, pela camada menos abastada da massa social, evidenciando uma discriminação humana e também cultural.Nesse contexto, por estarem habituadas às formas de arte ditas como eruditas, muitos indivíduos negligenciam refletir a relevância que as artes de rua possuem, por exemplo, na utilização de críticas sociais, o que pode levar a população refletir sobre aspectos políticos e socioeconômicos do próprio país.Assim, é importante eliminar as raízes preconceituosas que contornam a problemática.

Além disso,a ausência de debate amplo contribui incisivamente para a perpetuação do problema.Nesse sentido, o pensador Habermas alega que a comunicação é uma verdadeira forma de ação.Nessa perspectiva, evidencia-se a necessidade da discussão para aumentar as chances de atuação nessa situação, entretanto ocorre uma lacuna comunicativa acerca da arte urbana visualizada,ora na escola que,por vezes, não abre espaços para a reflexão dessa realidade, porque somente foca em expor o conhecimento técnico expresso nos livros da disciplina de artes,ora nas mídias sociais que não debatem amplamente esse tema por preferirem levar ao público a imagem de arte convencional, invisibilizando aquela feita nos centros urbanos brasileiros.

Depreende-se,portanto, a importância da elaboração de uma solução para esse entrave. Posto isso, cabe ao Ministério da Cidadania formular uma campanha que evidencie a necessidade de valorizar as expressões artísticas feitas nas cidades, com a finalidade de expandir a mente social, além de elucidar a sociedade por intermédio da discussão desse cenário. Isso deve ser feito por meio do relato anônimo de artistas de rua, como os que utilizam o grafite para desenhar, relatando os objetivos e desafios de sua arte,ademais destaca-se a mobilização das redes sociais para a divulgação dessa campanha em âmbito nacional. Dessa maneira, o postulado por Habermas, possivelmente,  será verificado no país.