Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 08/02/2021

No Brasil contemporâneo, a arte urbana ainda enfrenta desafios para ser devidamente valorizada. Isso se deve, dentre tudo, ao preconceito da sociedade com a arte de rua, a estigmatizando como vandalismo e o ausência de apoio governamental na produção da arte urbana. Desse modo, é imprescindível a reversibilidade do cenário em questão.

Decerto, desde o nascimento da arte urbana nos anos de 1970, ela é acompanhada por conotações negativas, sendo considerados por muitos como atos de vandalismo. Apesar do reconhecimento como “arte” conquistados com os anos, muitos preconceitos contra esse movimento ainda se perpetuam no Brasil. A cerca disto é pertinente lembrar do programa “cidade linda” de 2017 realizado pelo prefeito de São Paulo João Doria, que incluía, dentre tudo, a cobertura com tinta cinza dos grafites da cidade. O episódio em questão é um exemplo de como essa expressão artística até agora é descriminada, além de demonstrar a falta de afinidade do senso comum com a representatividade sociocultural deste tipo de arte e os valores por eles agregados a sociedade. Dessarte, a desconstrução deste estigma associado a arte urbana é fundamental para a sua devida valorização.

Ademais, a arte urbana tem o enorme valor cultural ao preencher os vazios urbanos e democratizar a arte, e necessita de apoio para dar continuidade a essa missão social. Além da descriminação a arte de rua enfrenta diversas dificuldades, e carece de apoio legal para a prática artística, uma vez que requererem locais adequados para suas atividades e existe uma enorme dificuldade burocrática para isso. Destaca-se então, a importância do Estado em garantir a continuidade dessa expressão artística. No entanto, em muitos locais do Brasil esse apoio não é suficiente diante das dificuldades encontradas. Logo, elaborar estratégias para modificar essa circunstância é crucial.

Torna-se imprescindível, portanto, a tomada de atitudes que mitiguem os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil. Descarte, a Secretária Especial da Cultura, Secult, em parceria com o Ministério da Educação tem o dever de criar programas que fomentem a valorização da arte de rua, que incluam excursões as obras e a criação de oficinas de grafite, por meio de instituições de ensino e centros culturais como ONGs, a fim de instruir sobre esse movimento artístico e desenvolver a valorização ao aproximar ainda mais a arte aos cidadãos. Assim como a Secult juntamente as Secretarias municipais da cultura devem agir como mediadores para auxiliar os artistas na prática legal das suas atividades, através de políticas que contenham incentivos ficais aos locais que receberam as obras, com o intuito de facilitar o acesso dos artistas a espaços adequados.