Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 13/02/2021

A obra de Edvard Munch “O grito” revela o terror do autor diante das atrocidades do mundo. De maneira análoga, a sociedade vive o espanto acerca da dificuldade sobre a valorização da arte urbana no Brasil, tendo em vista que a negligência de políticas sociais e a falta de visibilidade na área são intensificadores desse fenômeno. Nessa prisma, é importante analisar os aspectos sociais e econômicos que envolvem essa questão no país.

Em primeira análise, os impasses sociais acerca da falta de investimentos na área artística parte da subestimação Estatal, principalmente, e da própria sociedade civil. Nesse contexto, é essencial salientar que, segundo o filósofo Richard Wollheim o que consideramos arte pode depender do contexto em que a vemos. Logo, a valorização do conceito artístico influi decisivamente no entendimento que o indivíduo possui acerca das possibilidades de manifestação artística. À vista disso, é imperioso ressaltar que a visão estereotipada de que a apreciação da arte em suas várias formas, é algo pertencente as classes mais favorecidas ainda é um desafio. Por conseguinte, a carência de valorização e o preconceito tornam-se fatores desestimulantes para muitos artistas brasileiros, os quais recorrem ao meio internacional para conseguir valorização e destaque.

Não obstante, cabe abordar como outro desafio a desigualdade social desenfreada pelo capitalismo. Nesse sentido, o luxo é superestimado e, segundo o filósofo Kant, o conceito de belo por um indivíduo é verificável por meio da intuição e reflexão, conforme suas perspectivas interiores. Todavia, casos de pouca criticidade em meio à pluralidade artística nacional são preocupantes. Além disso, a relevância das mídias na disseminação da produção artística é inegável. Entretanto, a preponderância de alguns trabalhos em detrimento de outros, corroboram ao preconceito e à instabilidade financeira e laboral dos profissionais da área. Concomitante a isso, críticas pelo beneficiamento de certos setores à Lei Rouanet, que foi criada com intuito de investir em produções culturais por meio de investimentos de capital privado, induzem assim à uma reversão deste quadro.

Em suma, torna-se evidente que a valorização da urbanografia no Brasil exige medidas concretas. É imprescindível que o Estado, através da Secretaria Especial da Cultura, promova a visibilidade dessa arte sobre as diversas manifestações existentes, por meio de oficinas abertas nos espaços públicos, com a finalidade de ofertar para toda população o acesso à cultura, podendo, assim, instigar a criatividade social. Paralelamente, é mister que iniciativas privadas invistam na arte urbana, por meio de patrocínios aos pequenos grupos, a fim de dar visibilidade e possibilidade de uma . Desse modo, o Brasil tornar-se-á mais justo, coeso, e afastado das atrocidades visadas por Munch.