Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 09/02/2021
Durante os séculos XIV e XV, todas as obras de arte se limitavam às regras da academia de arte e aos moldes renascentistas. Similarmente, fora da Europa as artes urbanas permanecem pelo banalizadas público o que dificulta a participação íntegra da população brasileira nas artes. Assim sendo, a produção artística nacional perdura elitista em função da crescente demanda por espaços unicamente privados e da distância entre a arte produzida pela classe dominante e a população mais carente.
A priori, a crescente demanda por espaços unicamente privados dificulta sua valorização haja vista que para Hannah Arendt o espaço público desempenha um papel fundamental na construção de uma sociedade mais plural e acolhedora. Nesse sentido, o sucateamento dos espaços públicos e a limitação dos espaços no Brasil propicia uma sociedade apática e incapaz de respeitar as diferenças, por conseguinte jovens da periferia não entram em contato com a arte inviabilizando a sua produção.
Paralelamente, há uma distância entre a arte produzida pela classe dominante e a população mais carente visto que, segundo a escritora Clarisse Lispector “Não basta existir, é preciso também pertencer”. Dessa maneira a maioria da população brasileira não se reconhece nas produções as quais representam apenas uma parte da pluralidade existente, como resultado a população brasileira comum não se reconhece nelas e tampouco produzem algo para participar. Caracterizando-a como excludente e inacessível.
Fica evidente, portanto, a dificuldade da valorizaçãoda arte urbana em território nacional. Destarte a isso, o Ministério da Cidadania deve alicerçar a produação das artes urbanas no país mediante investimentos públicos em pequenos e médios artistas de rua com o intuito de proporcionar às classes mais baixas uma arte que as represente. Logo, as obras de arte deixarão de ser uma produção sistemática como foi no Renascimento europeu para serem formas democráticas de expressão.