Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 11/02/2021

A obra da artista brasileira Tarsila do Amaral, “Abaporu”, é tida como símbolo metafórico do brasileiro médio, que tem como marca a falta de reflexão, ao representar, de modo desproporcional, o corpo de sua obra, que possui uma cabeça pequena em relação aos outros membros. De modo análogo, “abaporu” também pode simbolizar a debilidade reflexiva que cerca os desafios para a valorização de arte urbana no Brasil, que se perpetua como problemática a partir da irracionalidade social que o envolve. Isso ocorre ora pela escassez de educação, ora pela indiferença da coletividade. Assim,  hão de ser analisados tais fatores, de modo que sejam liquidados de maneira eficaz.

A princípio, é imperativo ressaltar que a escassez de educação se torna um dos desafios para a valorização da arte. De acordo com o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que pode ser usada para mudar o mundo. À luz dessa perspectiva, entende-se que ensinar as crianças sobre como as intervenções artísticas fazem parte do patrimônio histórico do país faria com que o padrão estético fosse desestruturado, sendo valorizadas às pinturas urbanas. Sendo assim, é inamissível que uma ferramenta de transformação social seja descartada pelas escolas.

Outrossim, vale destacar a indiferença da população pela arte e cultura. Consoante a filosofa francesa, Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação, pode ser facilmente relacionada a falta de interesse dos indivíduos de apreciar as manifestações artísticas, já que mais escandalosa do que a ocorrência da desvalorização do grafite é o fato da população se habituar a uma correria dos trânsitos e deixar a arte se plano. Desse modo, é notório que pela ignorância da nação a arte de rua é marginalizada.

Portanto, é inegável que medidas sejam tomadas para reverter esse cenário, urge que o Ministério da Educação, ramo responsável pela formação civil, deve fomentar a expressão artística, através de apostilas e palestras, de modo que conscientize sobre a importância da arte urbana. As mídias, responsável por moldar a opinião do grande, devem desenvolver um projeto que vise informar o povo a respeito do contexto social das pichações, essa ação deve ser realizada por meio de documentários. Dessa maneira, a sociedade não será comparada com o quadro “Abaporu”.