Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 13/02/2021

Aristóteles, filósofo clássico, pregava que a arte, em seu âmago, funcionava como extensões da natureza. Hodiernamente, observa-se que, de fato, o fazer artístico atua como uma importante expressão do subjetivismo inerente à pessoa humana. Todavia, é indubitável que, no Brasil, seja em decorrência de uma falha no ensino das artes, seja pelo claro preconceito, a valorização da arte urbana enfrenta desafios.

Em um primeiro momento, é cabível abalizar que o ensino de artes no brasil não atinge seu fim devido. Nesse sentido, Paulo Freire, educador prestigiado, assevera que apenas uma educação libertadora forma cidadãos com pensamento autônomo e crítico. Contudo, no Brasil, disciplinas ligadas à arte são subalternizadas na educação básica. Consequentemente, forma-se uma sociedade de indivíduos com diminuta capacidade crítica acerca das artes, em especial das produções urbanas.

Ademais, cumpre salientar que, não obstante ao supracitado, há o preconceito da coletividade orbitando sobre a questão. Sob tal égide, Albert Einstein, célebre cientista, afirma que é mais simples deintegrar o núcleo de um átomo do que um preconceito difundido. Nesse diapasão, não raro, artistas urbanos como grafiteiros são chamados de vândalos por pessoas com limitado grau de instrução, que não sabem diferenciar o grafite, enquanto movimento artístico, da pixação, que é conduta inidônea. Isso gera, entre o corpo civil, um “efeito dominó”, no qual um indivíduo influência outro, com suas inverdades, arraigando tais preconceito.

Portanto, medidas devem ser adotadas. Cabe ao Ministério da Educação e Cultura, por meio de ato normativo, inserir na Base Nacional Comum Currícular, matérias que tratem da arte urbana sobre os primas filosófico-sociológicos e mostrem sua importância na composição do espaço urbano, aliado a palestras de artistas como grafiteiros, a fim de corrigir as falhas educacionais vigentes e, em outra perspectiva, obliterar o preconceito atualmente arraigado. Destarte, poder-se-á, no Brasil, o artista urbano realizar suas produções e compor o fazer artístico aristotélico.