Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 19/03/2021
Em 2017, João Dória, atual governador de São Paulo, removeu os grafites e as pichações da avenida 23 de Maio. Nesse sentido, o fato revela como a arte urbana encontra desafios para ser valorizada no Brasil. Sob esse viés, faz-se fulcral analisar como o legado histórico conservador, bem como a falta de debate sobre o assunto, contribuem para esse grave problema.
Em primeiro plano, é relevante abordar que a arte urbana foi, por muito tempo, criminalizada no país. Para comprovar, em 1980, o grafite era considerado crime no Brasil. Isso ocorre porque a sociedade conservadora deseja manter o status quo, o qual é questionado pela urbanografia, uma vez que ela é um instrumento de denúncia social. Dessa forma, o tradicionalismo enraizado na história brasileira impede a valorização da arte nas cidades, além de promover ações, como a de Dória, na atualidade.
Outrossim, o silenciamento do assunto amplifica o entrave. Nesse aspecto, segundo Foucault, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa lógica, a falta de debate sobre a arte urbana não gera uma reflexão social sobre essa forma artística ser uma expressão de protesto. Diante disso, pela falta de conhecimento, a sociedade segue um senso comum que condena essa manifestação cultural.
Mediante ao exposto, a arte urbana precisa ser valorizada, visto que ela é uma expressão cultural brasileira. Dessarte, a Secretaria Especial da Cultura deve criar um programa, que pode se chamar “A arte está em tudo”, a fim de promover o reconhecimento social dessa modalidade artística e de combater o conservadorismo, assim como o silenciamento do tema. Esse programa pode ser feito por meio da promoção de feiras culturais, nas escolas e nas praças públicas, que falem sobre a diversidade da arte e a importância da expressão urbana. Assim, com o conhecimento da sociedade, atitudes como a de Dória serão combatidas e a apreciação da arte na cidade será uma realidade.