Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 19/02/2021
A arte urbana é uma classificação geral de quase qualquer tipo de arte criada em uma rua, parede ou localização externa, sendo uma expressão artística livre de padrões estéticos e que, comumente, aborda temas sociais e políticos. No Brasil, embora se trate de uma modalidade comum, ela é extremamente desvalorizada e esbarra em um grande desafio para a reversão desse cenário: o preconceito, provido por um legado histórico de criminalização e pela intensão elitista e conservadora de se silenciar a população socialmente marginalizada.
Primeiramente, a arte urbana no Brasil teve seu início na década de 60, quando ocorria a ditadura militar, um período caracterizado pela falta de liberdade de expressão e, por isso, visando lutar contra esse cenário, esse modelo de arte veio como forma de protesto. Sendo assim, por vê-la como inimiga, o governo usou de leis e da mídia para criminalizar e marginalizar quem a fizesse, incitando, então, a criação de um ideário preconceituoso na população. Nesse sentido, como a descriminização veio tardia — apenas em 2009 — e com ela não houve políticas efetivas de incentivo à essa arte, é possível dizer que ainda há um preconceito em legado desse contexto no Brasil, o que se configura um grande desafio para que a arte urbana seja devidamente valorizada.
Outrossim, há também o preconceito advindo pelos pensamentos elitista, segregacionista e patriacal do Brasil, que visam silenciar a luta da parcela socialmente menos favorecida. A arte urbana tem sua origem, em maior parte, da população mais pobre e à margem da sociedade. Sendo assim, comumente, aborda temas sociais e politicos como forma de protesto a situação dessa parcela. Nesse contexto, por esses temas irem contrários ao pensamento elitista, segregacionista e patriarcal que históricamente é bastante dominante no país, essa forma de arte acaba por ser vista com olhares preconceituosos, inibindo sua valorização. Um exemplo que ratifica esse contexto é o ocorrido em Belo Horizonte, onde um morador de um prédio do centro da capital requisitou na justiça que se apagasse um grafite da artista Criola feito na lateral do edificil. A obra aborda a valorização da mulher negra e, para justificar a retirada dela do prédio, o morador alegou que o grafite possui um “gosto duvioso”.
Dado esses fatos, é evidente que o maior desafio a valorização da arte urbana no país é o preconceito. Desse modo, visando minimizá-lo é imprescindível por parte do governo, pelo legislativo e pelo executivo, criar leis que assegurem a permanência dessas obras na cidade, além de programas de valorização — como campanhas publicitárias e incentivos financeiros aos artistas —. Fazendo isso, aos poucos o preconceito se esvairá e a arte urbana poderá ter, então, seu devido valor.