Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 25/03/2021

De acordo com a Primeira Lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu estado inicial até que uma força atue sobre ele mudando seu percurso. Nessa perspectiva, ao relacionar a afirmação do cientista com a realidade atual, para que a arte urbana seja reconhecida pelos brasileiros, é essencial a quebra de antigos padrões que não respeitam a diversidade. Desse modo, faz-se necessário o debate em torno das questões que contribuem para a persistência da problemática, como o preconceito e a falta de políticas públicas.

Em primeiro lugar, vale destacar que a ausência de ações públicas voltadas para o incentivo da arte, contribui para o agravamento do problema. Nessa lógica, a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante que todos os brasileiros possuem direito a cultura e a liberdade de expressão artística. Entretanto, o que é previsto na ideia constitucional, não se faz presente na realidade, uma vez que as manifestações urbanas são censuradas e malvistas pelo Estado. Além disso, a falta de incentivo e oportunidade dificultam que bons artistas urbanos sejam reconhecidos.

Ademais, vale ressaltar que o preconceito é um dos obstáculos que contribui para a desvalorização dos “Street Art” no Brasil. Diante disso, de acordo com Ostrower, célebre pintora brasileira, a arte é uma forma de crescimento para entender e respeitar o mundo e os indivíduos.  No entanto, percebe-se, uma contradição a ideia da artista, visto que a arte urbana não é valorizada e estudada nas escolas com a mesma intensidade do que as artes clássicas. Dessa forma, é essencial que nas instituições educacionais, projetos pedagógicos sobre a arte de rua sejam ofertados, a fim de diminuir o preconceito.

Tornam-se, portanto, necessárias medidas que solucionem os desafios da não valorização das manifestações culturais urbanas no país. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela educação dos brasileiros, por meio de verbas públicas, investir  em projetos didáticos e instrutivos, que possam ser proporcionados para alunos da rede pública, com a finalidade de diminuir o preconceito em relação a arte urbana e para a formação de um indivíduo mais respeitoso. Além do mais, cabe ao Estado propor projetos de reconhecimento de jovens artistas que atuam nas ruas das capitais brasileiras. Somente assim, teremos uma sociedade mais justa e democrática, que valoriza o direito de todos, como previsto na Constituição de 1988.