Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 19/02/2021

“A arte existe porque a vida não basta”. A frase do escritor Ferreira Gular denota a importância da manifestação artística para a comunicação entre o ser e o mundo, de modo a enaltecer a vitalidade dessa expressão para a consciência cultural e política. Todavia,a realidade brasílica mostra-se distante da valorização defendida por Gullar, ao passo que a sociedade brasileira ainda não reconhece a importância da arte urbana para a nação. Assim, há de se analisar como não somente a banalização dessa produção artística pela Indústria Cultural , mas também as nefastas políticas de apoio aos artistas urbanos coadunam-se para a permanência dessa cultura noçiva à multiculturalidade.

Sob esse viés, convém destacar que na transição entre os séculos XIX e XX , as produções artísticas passaram a ser mercantilizadas em função dos interesses lucrativos defendidos pelo Capitalismo. Nesse sentido, os filósofos da Escola de Frankfurt conceberam o termo “Indústria Cultural” para referir-se a nova forma de gerar lucro na sociedade capitalista, em que a arte perde seu sentido crítico e passa a ser alienante. Partindo disso, é fato que a arte urbana por ser uma manifestação que desafia as estruturas de poder e legitima a criticidade do cidadão torna-se um alvo da Indústria , já que seu teor reflexivo e provocador não gera conformidade nos individuos, mas sim, questionamentos sobre os problemas sociais. Assim, ocorre um boicote à tais marcas artísticas o que contribui inegalvemente para a disseminação de ideologias de consumo e é claro, dificulta a o reconhimento de seus significados.

Além disso, deve-se analisar como o mínimo investimento do Estado em políticas de apoio aos artistas inviabiliza a arte como instrumento de renovação social. Apesar da arte visual nas ruas ser disseminada desde a década de 60, foi apenas em 2009 que o Congresso legalizou suas intervenções. Contudo, a lei por si não é suficientemente capaz de garantir a responsabilidade estatal no que tange o incentivo de tais práticas, pois ainda há uma insuficiência de projetos voltados para a valorização dos conteúdos artísticos produzidos nas ruas. Diante disso,  a desvalorização do trabalho artístico na rua é aprofundada devido à falta de credibilidade e aporte financeiro e legal do Governo e sociedade.

É imperiosa, portanto, a atuação do Governo na criação de um auxílio financeiro e técnico à arte urbana, por meio da criação de um projeto de lei no Congresso Federal que permita aos artistas receberem subsídios tanto para a criação de suas produções, quanto para sua divulgação, com o intuito de viabilizar a disseminação dessas criações e torná-las acessíveis ao público em geral. Somado à isso, o Ministério da Educação deve , por meio da reformulação da BNCC -Base Nacional Comum Curricular- complementar a disciplina de “Arte” com aulas de discussão sobre as tendencias artísticas urbanas, com o fito de sensibilizar os alunos a valorizar a arte e torná-la um símbolo de denúncia  e luta social.