Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 20/02/2021

Despadronização. Subjetividade. Liberdade. Acessibilidade. Essas são algumas características que definem a arte urbana, a qual surgiu no Brasil na década de 70, no governo ditatorial, que a marginalizou. Dessa maneira, a produção artística não é valorizada como deveria em razão dos desafios encontrados desde seu surgimento e que ainda permeiam na sociedade brasileira. Diante disso, é necessário pontuar suas contribuições e discutir esse preconceito enraizado, que é o principal óbice. Logo, é fundamental buscar meios que tragam o devido reconhecimento a essa arte entre os brasileiros.

Convém ressaltar, a princípio, como a arte marginal é relevante e dialoga com o público. Isto é, de acordo com Da Vinci, pintor, “a arte diz o indizível, exprime o inexprimível e traduz o intraduzível”. Com isso, o público, em seu cotidiano, tem contato com uma arte que, em muitos casos, traz críticas, reflexões ou protesta contra algo. Desse modo, por ser feita nas ruas, é uma produção artística acessível e que não está restrita a museus, teatros, entre outros; mas que traz visibilidade e também possibilita o exercício da criatividade. Com efeito, as cidades “ganham vida” em forma artística e exprimem em si a liberdade de criar.

Entretanto, essa manifestação de arte é vista por muitos sob um viés preconceituoso. Nesse sentido, a pixação, uma das vertentes da arte urbana é preconceituosamente definida como um ato vândalo de indivíduos criminosos e de classes abastadas. Com isso, houve um forte debate a cerca da repressão dessa forma de expressão quando, em 2017, o prefeito de São Paulo criou um projeto “Cidade Limpa” em que uma das ações era limpar as pixações, pintando-as de cinza. Dessa maneira, percebe-se que a arte encontra limitações e também a visão discriminatória da lei, que julga ser arte aquilo que foi previamente autorizado a ser feito no espaço urbano e diz ser vandalismo a arte não consentida, por mais caprichosa que seja.

Em suma, é impreterível buscar caminhos que atenuem o problema. Para isso, o Ministério da Cidadania, deveria fomentar na população a apreciação das artes marginais por meio da criação de oficinas públicas semanais que conectem artistas, a fim de estes debaterem formas de ensinar arte e explicar sua necessidade com postagens de vídeos na mídia, a qual seria uma aliada na concretização da ideia e atrairia pessoas. Ademais, Prefeitos deveriam começar uma campanha de embelezamento urbano e consequente exposição artística, através da contratação de artistas urbanos, para que estes criassem uma arte metalinguística em muros, ou seja, uma produção artística que fala sobre ela mesma. Assim, a arte urbana ganharia uma nova visão e seria valorizada no país em grande proporção.