Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 25/02/2021
Grande parte dos espectadores ao ouvirem o poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, na Semana de Arte Moderna de 1922, vaiaram e gritaram por não concordarem com os ideais modernistas. Apesar de um lapso temporal, o preconceito diante de outros valores atuais não é diferente. Logo, é imprescindível discutir as causas da acentuada desvalorização da arte urbana, bem como suas consequências para o Brasil atual, a fim de propor medidas eficazes ao combate desse problema social.
O primeiro aspecto a considerar sobre os desafios para a valorização da arte urbana é o grave preconceito enraizado na sociedade brasileira. Isso acontece, porque, desde os primórdios, tudo que é considerado “diferente” é visto com maus olhos e rapidamente tachado, por ignorância comunitária, como ultraje e desrespeitoso à sociedade. A exemplo, as obras do pintor Romero Britto são classificadas de alto valor e de marcante representatividade pernambucana, enquanto a arte urbana é analisada com caráter marginalizante, devido ao tom crítico à paisagem civilizada, sendo contraditório aos parâmetros de reconhecimento e visibilidade do tecido social.
Ademais, a maior consequência da persistente aversão a outros estilos de artísticos é o estigma associado à arte urbana. Essa questão ocorre devido ao desconhecimento por parte da sociedade brasileira, que ainda nos dias atuais não reconhece a diferença entre arte urbana ou “street art” -que tem como principal objetivo realizar manifestações artísticas em espaços públicos- e pichação, uma das representações do vandalismo e tratada como crime. Tal falta de informação é contraditória ao artigo 6º da Constituição promulgada em 1988, que afirma a educação como direito essencial para o cidadão.
Portanto, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Educação juntamente ao Ministério da Cidadania, incentive a valorização da arte urbana no país. Tal ação ocorrerá por meio da implementação de um Projeto Nacional em Combate ao Desconhecimento Artístico, o qual articulará novas palestras em escolas -estimulando professores e alunos a descobrirem o mundo da arte- e seminários temáticos através das mídias sociais de amplo alcance. Isso será feito a fim de reconstruir um país que consiga, de fato, seu desenvolvimento social com novos conceitos de arte contemporânea.