Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/03/2021
Segundo o artigo 5° da Constituição, inciso IX, o exercício da liberdade de expressão, no que tange a sociedade, é um direito livre de censura. Tal prerrogativa, no entanto, não se aplica à atual conjuntura social brasileira quando em vista de uma desvalorização gradativa das práticas artísticas, causada por ignorância e uma visão distorcida a respeito. O preconceito, envolto de desinformação, impossibilita, junto à insuficiência de leis, o avanço na validação da arte urbana.
É primordial ressaltar que, entre os fatores que mais influenciam na banalização das expressões artísticas urbanas, tem-se a ignorância, elencada por uma visão errônea e excludente. Desde vanguardas europeias como “Impressionismo”, criou-se um preconceito com o que era diferente, trazendo assim, uma rejeição as novas expressões artísticas, o que resultou em um processo lento de reconhecimento e aprovação. Para Aristóteles, o objetivo da arte não é representar a aparência exterior das coisas, mas o seu significado interior. Nesse sentido, atenta-se para a importância da conexão entre a vida cotidiana e as diversas exposições que trazem as críticas, a dialética de uma parcela marginalizada da sociedade que não detém do acesso aos suntuosos teatros e museus.
Concominanate a isso, é válido ainda ressaltar a insuficiência de leis como agravante para a desvalorização dessa forma de expressão. O governo brasileiro, com a lei 706/07, descriminalizava a partir daquele momento a arte de rua, um imponente avanço, mas que posto em prática foi falho, quando evidencia-se o caso da prefeitura de São Paulo que em 2017 apagou os grafites da Avenida 23 de Maio tidos como “vandalismo”, episódio que recebeu o nome de ‘maré cinza’, em virtude da cor usada para pintar as paredes. Outro exemplo da inaplicabilidade, é o retratado no documentário ‘Cidade Cinza’ de 2012, que destrincha uma situação parecida em 2008, onde também em São Paulo inicia-se uma política de “limpeza urbana”. O projeto traz à tona o ponto de vista dos artistas, e é mais uma prova da negligência estatal aliada da ineficácia legislativa.
Evidencia-se, portanto, que a arte urbana não é democratizada, e sua importância se atrela ao encontro da vida cotidiana à linguagem de um povo. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Educação, a partir da Secretária de Cultura e em assossiação as prefeituras, crie um projeto que escolha artistas urbanos para reforma de muros e prédios antigos, de modo a utilizá-los como tela para os novos talentos. Ademais, é impressíndivel que o Ministério promova palestras nos âmbitos escolares, a fim de incitar os jovens ao aprendizado de outras expressões artísticas, e à quebra de preceitos por parte de toda uma população.