Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 01/03/2021

A música “Chá Preto”, da banda Grafiteiros, expressa o preconceito que a arte de rua sofre e como ela persiste para compartilhar diversos pontos de vista com o resto da população. Essa canção é verossímil ao cotidiano dessa estética artística, que muitas vezes, tem sua importância reduzida a uma forma de vandalismo. Sob esse viés, torna-se válido entender a estigmatização que envolve a grafitagem, bem como seu impacto na distribuição da arte na sociedade brasileira.

Observa-se, de início, que desde a pré-história, o ser humano já possuía o habito de pintar paredes como forma de registro. Todavia, de acordo o antigo prefeito de São Paulo, João Dória, a arte de rua é poluição visual e todo pichador é bandido. Tais declarações preconceituosas, são diárias, mas seguem sendo ‘justificadas’ no Brasil, tanto pela Lei 9.605/98, que classifica pichação como vandalismo, quanto por termos como"picho", que são usados para segregar e marginalizar uma categoria de artistas urbanos. Essas colocações, principalmente, quando vindas de pessoas com autoridade, influenciam a opinião pública, depredando ainda mais a imagem dos grafiteiros e suas obras.

Cabe analisar, ainda, que o conceito artístico de grande parte da população ainda é muito elitizado. Segundo o artista Felipe Yung, um dos principais objetivos da arte urbana, além de passe uma mensagem, é exibir as obras para o maior número de pessoas, democratizando o acesso às manifestações artísticas. Porém, mesmo com os diversos projetos com produções diversas e significados relevantes para as questões presentes na atualidade, expostos pela maioria dos centros urbanos brasileiros, grande parte da população, ainda não reconhece essas obras artísticas como equivalentes à aquelas mostradas em museus e galerias fechadas. Isso interfere na distribuição e valorização da arte urbana entre um público maior e mais variado.

Portanto, para facilitar a apreciação da estética artística urbana no Brasil, mudanças são necessárias. Cabe ao Ministério da Educação junto a Fundação Nacional das Artes, facilitar a compreensão do público a esse tipo de manifestação artística, por meio da criação de um aplicativo gratuito chamado “E-museu”, que funcionaria como uma galeria on-line, expondo as artes de forma interativa, assim como os autores e a história que inspirou a obra. Assim, diferente da realidade da música “Chá Preto” o grafite será valorizado.