Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 25/02/2021
Realizada desde a Grécia pré-socrática com canções e discursos, a arte urbana, ganhou forças no Brasil, durante a década de 70, sendo uma arte livre de padrões estéticos com o objetivo de impactar e expressar quitemente as ideias de uma sociedade por meio das ruas. Destarte, esse movimento encara não só a falta de reconhecimento como também a proibição de suas manifestações artísticas.
O cantor brasileiro Raul Seixas disse “A arte é o espelho social de uma época”. Segundo essa linha de pensamento, se entende que a arte é um elemento processual histórico vivente da sociedade e patrocinado pelos artistas e suas intervenções. No contexto urbano, a arte se faz presente em poemas, grafites, estêncil, cartazes, adesivos, instalações, juntamente com estátuas vivas e performances. Desta forma, a arte de rua atua democraticamente com acesso constante às pessoas e em sua maioria, sem remuneração, sofrendo com preconceitos e marginalização, gerando o não reconhecimento artístico por se manifestar livremente de forma avessa ao belo pelo olhar da massa.
Portanto, esse tipo de arte sem limitações é limitado por pensamentos alheios e atitudes invasivas que corrompem a proposta do movimento, como ocorreu em 2017 quando o prefeito de São Paulo, João Doria, ordenou que cobrissem em tintas da cor cinza, as pichações e grafitagens pelo programa Cidade Linda, na Avenida 23 de Maio. Tornando isso, uma forma de veto à liberdade de expressão e contrária ao inciso IX do artigo 5° da Constituição, onde fala ser livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. Visto isso, a falta de compreensão da arte urbana comprometem a visibilidade e construção do movimento como parte da cultura popular e social contemporânea, além de menosprezar o esforço dos artistas que vivem dessa habilidade.
Mediante a tais fatos, cabe ao Ministério da Cidadania, instituições associadas a cultura e fundações como a Funarte (Fundação Nacional das Artes), efetuarem investimentos e ações por meio de programas que explorem a arte urbana e todas suas formas de manifesto como recurso essencial para a cultura brasileira. Promovendo por exemplo: a declamação de poetas ou apresentação de rappers; a grafitagem em paredes ou quadros; obras ou instalações; tanto em espaços públicos como também em empresas públicas ou privadas, garantindo a apresentação desses artistas de rua e suas artes, assim, assegurando a valorização e percepção desse movimento como patrimônio histórico nacional.