Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
O ser humano desde a pré história tem o comportamento de deixar sua marca, a exemplo das pinturas rupestres, um sentimento primitivo e poderoso. Em dias atuais, a arte urbana é o reflexo desses hábitos, o grafite por exemplo advém do italiano “graffare” que significa riscar, ou seja marcar sua passagem em determinado lugar. A partir da visão supracitada suponhe-se que a arte das ruas seja bem aceita, mas não é bem assim, pois não só o grafite é mal visto como também as danças de rua.
Antes de tudo, é válido ressaltar que em 2009 o Brasil aprovou a lei 706/07, lei essa que descriminaliza a arte de rua. Partindo desse pensamento, fica claro que existe alguma mobilização por parte do governo para que artistas de rua como grafiteiros tenham espaço, mas o problema é que essa lei não é tão conhecida, o que faz o preconceito acontecer com todo e qualquer tipo de arte que provenha da rua. É bem comum que grande parte da população não saiba diferenciar grafite de piche, e acabe achando que tudo é mais do mesmo, não sabendo que o grafite respeita propriedades privadas e por muitas vezes passa uma mensagem cultural, já o piche é um ato de vandalismo e na sua maior parte é para demarcar território de gangue.
Ademais, é lícito citar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em seu artigo sétimo, delibera que todos tem direito a proteção contra qualquer tipo de discriminação. O que de fato não ocorre, a falta de informação por parte de quem ataca é tamanha que sequer se interessam em saber o porque das mainifestações culturais de rua. A dança de rua por exemplo é atribuída a população negra do inicio do século XX que serviu como forma de sustento de músicos e dançarinos após a quebra da bolsa de 1929. Um fato pouquíssimo conhecido, que deixa bem claro o quão problemática pode ser a falta de informação sobre um determinado assunto, assim gerando uma desvalorização dessa cultura.
Evidencia-se, portanto, que os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil caminham, mas não tão rápido quanto deveria e nem tão difundido. É papel da Secretaria da Cultura junto ao Governo Federal que formulem e executem um projeto mais abrangente em favor do grafite, que consistiria no seu reconhecimento como patrimônio cultural da arte urbana pela mais importante organização, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), com certeza assim reduzindo substancialmente o preconceito existente com essa manisfetação cultural. Alem disso é também papel da Secretaria da Cultura a difusão das mais variadas danças de rua, incentivando e financinado o apoio a ONGS (Organizações não governamentais) com a devida verba federal, para que essa arte seja levada a cada vez mais lugares, assim agregando valor a um segmento tão desvalorizado.