Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 22/02/2021
A arte está presente na sociedade desde os primórdios da humanidade, quando os primeiros registros humanos foram feitos em forma de desenho. Entretanto, a arte urbana nos dias atuais não é valorizada no Brasil, devido à supervalorização da arte estrangeira e ao subsequente preconceito com tal manifestação artística.
É fato que a sociedade brasileira foi estimulada por séculos a aceitar tudo que vem de países desenvolvidos e consequentemente “superior” econômica, política e culturalmente à nossa nação. Esse consumo da cultura estrangeira data do momento histórico que o Brasil era uma colônia portuguesa, onde todos os produtos vinham da Europa, e junto com esses, as manifestações artísticas europeias em alta na época como literatura, teatro e arquitetura.
Dessa forma, tal estímulo formulou na mentalidade do brasileiro que toda a arte produzida por nós não possui valor, principalmente aquelas marginalizadas. Pois, aqueles que vivem às margens da sociedade são malvistos como pessoas totalmente desprovidas de educação e que podem causar perigo, portanto, a arte das ruas é associada ao vandalismo. Todavia, esse tipo de manifestação artística está intimamente ligado à realidade urbana, trazendo temas políticos, religiosos e sociais que estão em pauta na sociedade, além de expor de forma criativa as várias desigualdades sociais nas cidades brasileiras.
Logo, compreende-se que a arte urbana deve ser mais valorizada, pois faz parte da cultura do Brasil, enriquecendo-a ainda mais. Além de que toda forma de se expressar artisticamente é válida, uma vez que cada um apresenta sua individualidade. Portanto, se faz necessário um maior investimento por parte do Ministério da Educação (MEC) e da Fundação Nacional de Artes (Funarte), por meio de verbas governamentais que financiem as obras feitas no espaço urbano e projetos que visem a exposição de tais expressões artísticas e seus criadores nas cidades urbanas.