Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, no que concerne aos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, verifica-se uma lacuna na manutenção dos direitos humanos, no caso, o direito à cultura, o que configura um grave problema. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange a questão do desprezo da arte de rua, que persiste influenciado pela lenta mudança da mentalidade social e a falta de representatividade.
Nessa perspectiva, há uma questão sociocultural, que influi decisivamente na consolidação do problema. Conforme o sociólogo, Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob esta lógica, é possível perceber que a questão dos desafios para popularizar positivamente a arte de rua brasileira, é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, com a visão marginalizada presente na sociedade atual, colaborando com o desprezo e desvalorização de uma parte da cultura do país, acentuado pelo preconceito generalizado da prática popular, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante e com falta de informação, a tendência é adotarem esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Em segunda análise, a lacuna de representatividade, que apesar de crescente, ainda não se faz suficiente, apresenta-se como outro fator que influência como um obstáculo para valorizar a arte urbana brasileira. Pra Rupi Kaur, “A representatividade é vital”. A poeta ilustra sua tese fazendo alusão a uma borboleta que tenta ser mariposa, por estar rodeada delas. Fora da poesia, verifica-se que a questão do desafio para aumentar a visibilidade da prática nas ruas é fortemente impactada pela falta de representatividade presente no problema, que não está sendo devidamente encarnada pelas autoridades, sejam governamentais, sejam midiáticas. Dessa forma, o tema não recebe a atenção devida, o que acaba por dificultar sua representação e popularização.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do Estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas em semanas culturais dos colégios estaduais, por exemplo. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, com a presença de artistas urbanos, para demonstração e a estimulação artística, de modo a proporcionar a visualidade do assunto, além de palestras de praticantes experientes, que orientem a valorização cultural brasileira para os jovens e suas famílias, a fim de efetivar a conscientização da população sobre o tema. Dessa forma, a máxima de Hanna Arendt seria concretizada na realidade do Brasil.