Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 22/02/2021
Com os movimentos sociais fomentados a partir do século XX,a arte urbana surgiu e assumiu temas que representam a realidade socioeconômica dos cidadãos,servindo como linguagem de protesto e consciência artística.No Brasil,essa forma de expressão permite que pessoas historicamente oprimidas e desvalorizadas sejam viabilizadas e colocadas como indivíduos ativos na política e produção cultural do país.No entanto,mesmo que a Constituição de 1988 garanta o incentivo a todas as linguagens artísticas e também a sua liberdade produtiva, o discurso urbano difundido por esse meio ainda não é valorizado pela população e governo brasileiros.Dessa forma, falar sobre o preconceito social e a falta de incentivo governamental é importante para o dabate dos desafios da fomentação dessa arte.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, com a herança de um passado histórico e cultural excludente,as identidades de grupos sociais minoritários-como por exemplo,mulheres,negros e comunidade LBGTQIA+- foram silenciadas e discriminadas,tendo sua expressão artística,que se vale da linguagem urbana, desvalorizada.Nesse sentido, segundo o filósofo Michel Focault,a classe dominante utiliza ferramentas para manter sua ideologia como homogênea e disciplinarizar os indivíduos de forma que a sociedade negue e exclua as produções culturais minoritárias, ou seja, a arte urbana, por estar distante dos padrões estéticos estabelecidos e não ser formulada pela parcela hegemônica, enfrenta preconceito social-instrumento de discriminação.Assim,percebe-se que ao ser uma forma de protesto e representação da voz dos cidadãos,a expressão urbana é pouco compartilhada e apreciada no meio público e privado devido ao descaso da sociedade historicamente disciplinarizada pelos dominantes.Dessa forma, o preconceito social impede a valorização dessa linguagem.
Ademais, a falta de projetos governamentais, que contruibuam na difusão dessa forma de comunicação social,dificulta que novas perspectivas artísticas sejam valorizadas no Brasil.Nesse viés, segundo o ensaísta Antônio Cândido, possibilitar o acesso e expansão da cultura é garantir a população direitos humanos, ou seja, incentivar a produção urbana deve ser uma das principais ações da instituição responsável pela qualidade de vida do brasileiro: o Estado.Dessa maneira, compreende-se que um governo, o qual não investe em medidas viabilizantes da cultura urbana,não cumpre sua função como proporcionador do bem-estar comum e desvaloriza a forma de sua população expressar.
Portanto, o debate sobre os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil é importante para que o direito constitucional de liberdade e incentivo artística seja garantido.Assim, o Ministério da Educação em conjunto com o Estado devem criar aulas de arte que valorizem a cultura urbana por meio da atuação de professores dessa área,os quais ressaltem a estética social e política dessa linguagem.