Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/02/2021
A arte urbana é a expressão subjetiva de determinado grupo ou indivíduo, que é exteriorizada, principalmente, nos muros das cidades. Sendo assim, essa ramificação artística é importante tanto para quem a produz quanto para a construção paisagística da cidade. No entanto, a valorização desse modelo de manifestação ainda enfrenta vários desafios no Brasil. Um deles é o preconceito da sociedade contra quem faz esse tipo de arte, embasado, principalmente, na originalidade geográfica desses indivíduos. E o outro são os problemas legais enfrentados pela arte urbana.
Em razão disso, é possível perceber a tentativa da sociedade brasileira em silenciar seletos grupos artísticos sociais apenas por serem da camada mais pobre economicamente e da localidade geográfica mais esquecida politicamente: a periferia; o que torna a valorização dessa arte um desafio para os dias atuais. Nesse contexto, existe um documentário intitulado “PIXO”, o qual traz o cotidiano de pichadores e o motivo que os impulsionam a praticar esse tipo de arte, e a mais frequente motivação é externalizar, por meio da arte, um protesto, uma indignação ou, até mesmo, um grito no silêncio incitado pela colisão de dois mundos: o moralismo e a arte urbana.
Além disso, outro grande desafio travado pelos artistas urbanos são os problemas legais que os mesmos enfrentam no Brasil atualmente. O fato é que algumas pessoas consideram a arte urbana, tendo em vista o grafite e a pichação, como um ato de vandalismo. Entretanto, em 2009 o governo brasileiro aprovou uma lei que descriminaliza a arte de rua e sua legalização também é realizada pela autorização dos proprietários de muros e fachadas grafitadas. Contudo, mesmo que a criação dessa lei seja uma resposta da paisagem evoluindo em arte nas ruas brasileiras, ainda se enfrenta muitos problemas relacionados ao enquadramento de pichadores e grafiteirios em crimes ambientais, sustentados por leis altamente restritas que proíbem a utilização de produtos que emitem clorofluorcarbonetos (CFC’s).
Então, percebe-se que atualmente a rigidez das leis ambientais que criminalizam artistas urbanos e o preconceito social contra os mesmos são ferramentas que objetivam reprimir os que expõem suas manifestações em forma de arte. Desse modo, é necessário e urgente a discussão sobre o tema e ofertas de oficinas de arte urbana nas escolas, para que haja o esclarecimento da importância da arte urbana para a construção da cidade e, assim, ocorra a desconstrução do preconceito contra esse tipo de expressão. Para além, é indispensável a reestruturação das leis ambientais, para que sejam menos restritas e mais abrangentes e, consequentemente, as pessoas consigam se manifestar com uma maior liberdade.