Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 28/02/2021

No ano de 2017, o prefeito de São Paulo João Dória decide cobrir grafites e pichações com tinta cinza, em demonstração de repúdio aos pichadores. Segundo o prefeito: “Uma demonstração de apoio à cidade”. Com o cenário apresentado, é fácil perceber que esse tipo de arte ainda encontra resistência nas diversas camadas da população, a qual propaga, através de atos como o de Dória ou de discursos prontos, a ideia de que arte urbana (sejam grafites, pichações, etc) não deve ser considerada arte de verdade. Por isso, faz-se extremamente necessário estudar os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil.

A arte urbana vem de classes mais pobres da sociedade e encontra inspirações no movimento punk, como é mostrado no documentário “PIXO”, que conta a história da pichação e de como essa corrente se instalou no país. Além disso, vê-se também que a pichação é principalmente uma forma de protesto realizada pelo povo.  Assim, por ter ligação com o “punk”, que foi muitas vezes considerado criminal e foi negligenciado pela comunidade, e ser uma maneira clara de protesto contra elites e governos, a arte de rua não encontra aceitação na grande maioria do público, o qual apoia atos como o do prefeito de São Paulo.

Ademais, há um preconceito visível contra qualquer arte periférica: funk, brega funk, o rap, a pichação e o grafite. Sobretudo, pois é essa arte quem dá voz às minorias, que são os pobres e os negros. Segundo o fundador da Cooperifa (vanguarda para produção cultural periférica) e poeta Sérgio Vaz, “A arte periférica vem das ruas que os anjos não frequentam”. Por esse motivo, torna-se um desafio imenso incluir a arte urbana no cotidiano do povo brasileiro, uma vez que ele não tem contato e não procura se desfazer de preconceitos em relação ao que não está próximo de sua realidade.

Portanto, é importante que a Secretaria Especial da Cultura inclua a arte urbana em suas prioridades, formando políticas nacionais para a valorização dela, através de campanhas publicitárias que propaguem a importância dessa arte para a população e programas de incentivo financeiro aos artistas, na intenção de que eles encontrem maior valorização em seu trabalho. Dessa forma, os brasileiros vão ter contato com a arte urbana e, aos poucos, ela estará ligada ao cotidiano dos indivíduos, o que evitará outras ações como a do prefeito João Dória.