Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 23/02/2021

A frase “se o sonho existe para equilibrar o sono, a arte existe para equilibrar a vida”, do crítico literário Antônio Cândido, traduz a importância que essa técnica possui no cotidiano das pessoas. Tendo isso em vista, valorizar arte urbana pode despertar tanto no seu autor quanto na sociedade uma visão diferente do local onde ela se encontra. Apesar disso, existem desafios sobre essa forma de expressão, pois muitos indivíduos não conseguem interpretar determinada arte e discriminam-a, bem como há uma falta de reconhecimento dos artistas urbanísticos.

A princípio, devido à padronização, sobre a arte possuir uma forma próxima da realidade, que muitas pessoas acreditaram durante muitos anos, valorizar a arte urbana torna-se um desafio para esse público. Nessa perspectiva, a Semana de arte mordena realizada em 1922, tinha como objetivo alterar o conceito do ambiente artístico-cultural vigente, modificando a noção do que era belo, perfeito e correto e isso causou muita indiferença pelo público que estava acostumado com os padrões anteriores. Dessa forma, a desvalorização artística praticada por uma parcela de brasileiros ocorre, pois eles estavam habituados com uma maneira de produzir diferente do que a arte urbana apresenta, por exemplo, o grafite por muitos é considerado um vandalismo quando na verdade é uma arte.

Além disso, a classe dos artistas urbanos sofre com o preconceito sobre a origem deles, pois a grande maioria envolve grupos marginalizados que não possuem muita visibilidade midiática. Nesse sentido, autoridades que coibem a prática artística nas urbes, como ocorreu em São Paulo, onde o prefeito apagou os grafites e artes na avenida 23 de maio, segundo o jornal El País, configura um ato de invisibilidade das pessoas que realizam tal ofício. Sob essa ótica, atitudes como a presente na notícia promove a banalização de indivíduos que expõem suas subjetividades para um grande público, além excluir artes as quais tinham o próposito de trazer cores para a cidade, ou até mesmo, reflexões e críticas sobre determinado assunto, tolhendo assim a liberdade de expressão.

Portanto, para diminuir os desafios criados para a valorização da arte urbana no Brasil, é necessário que a mídia atue de modo que possa informar os indivíduos sobre a importância do fazer artístico nas cidades, por meio da criação de um programa o qual descreva acerca das diferentes produções urbanas e divulgue os trabalhos dos diferentes artistas desse eixo temático. Outrossim, é preciso que o Ministério da cultura de cada cidade possa valorizar o trabalho dos criadores artísticos, por intermédio da contratação deles para revitalizarem espaços públicos e assim valorizar o trabalho desses indivíduos, bem como colorir as urbes, já que a arte é necessária para o equilíbrio da vida, como defendido por Antônio Cândido.