Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 23/02/2021
A arte, apesar de sua definição variar no tempo e no espaço, pode ser entendida como uma manifestação de ordem estética ou comunicativa, realizada por meio de uma grande variedade de linguagens. Entretanto, no Brasil, a produção artística, principalmente a arte urbana, enconta diversos desafios, tendo como fatores que agravam essa problemática a defasagem educacional e a falta de incentivo estatal juntamente com o preconceito.
Em primeiro lugar, é preciso lembrar que, segundo o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é positivamente transformadora. No entanto, uma grande parcela das escolas brasileiras vai de encontro a essa premissa, dado que, de acordo com o educador Paulo Freire, elas não estimulam o censo crítico nos alunos, restringindo o ensino a saberes diluidos e mecânicos. Consequentemente, esse cenário culmina no menosprezo a expressões artísticas minoritárias, como o funk e o grafite, alvos de discriminação no cenário nacional. Desse modo, é imprescindível tornar a Educação a ferramenta que Mandela aprovaria, com a finalidade de fomentar um aspecto fundamental da cultura: a arte.
Além disso, é essencial ressaltar que com o advento do neoliberalismo nos anos 90, percebe-se a gradativa priorização governamental no crescimento econômico em detrimento das orbes ligadas diretamente ao bem-estar social. Seguindo esse raciocínio, a arte deveria ser uma pauta importante para o governo brasileiro, já que, não é somente uma manifestação artística, mas sim uma ampla quantidade de expressões que intervém no espaço público reconfigurando os cenários das cidades e seus sentidos. Contraditoriamente, bem como relata a artísta Mariê Balbinot, o preconceito estabelecido pelo conservadorismo enraizado, o qual valoriza as artes clássicas, torna desafiador o trabalho com o grafite. Logo, vê-se a necessidade de romper com essa tradição, com o fito de possibilitar, de fato, a aceitação dessa forma de cultura pela população brasileira.
Fica claro, portanto, a importância de combater o déficit governamental e escolar que prejudica a valorização da arte no Brasil. Assim, o Governo Federal, por meio de subsídios arrecadados dos impostos, os quais seram direcionados aos centros artístico-culturais das períferias, deve promover o incentivo e ampliação dessa arte aos diversos públicos, com o objetivos de por fim ao conservadorismo artístico nas diversas camadas da sociedade. Outrossim, o Ministério da Educação, através de recursos públicos, deve inserir no currículo escolar, público e privado, aulas obrigatórias que incentivem a dança, a pintura e o teatro, com o intuito de instigar os estudantes a se envolverem com a produção artística presente em seu dia-a-dia. Somente dessa maneira, artistas urbanos, como a Mariê, terão sua arte valorizada no Brasil.