Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 27/02/2021

Pixo. Grafite. Lambe lambe. São apenas alguns exemplos de Arte Urbana. Modalidade artística essa que se originou na década de 70 nos EUA e migrou para o Brasil no início da década seguinte. Por ter chegado, no Brasil, durante um período de repressão, a Ditadura Militar, era considerada crime pela legislação brasileira, deixando na geração X sequelas de preconceiro para com tal expressão artística. Dessa forma, é fundamental, sentido os motivos pelo qual a Arte Urbana é tão desvalorizada no Brasil e a consequência dessa desvalorização na vida cotidiana.

É fundamental, antes de tudo, compreender que Arte Urbana vai além da expressão artística, ela é a liberdade de expressão de uma sociedade reprimida. Isso justifica o fato dela ser considerado crime na década de 80, no Brasil, momento em que a liberdade de expressão era caçada pela ditadura militar. Dessa forma, a Geração X cresce com uma percepção negativa a esse tipo de arte e, ao tomar como base o pensamento do filósofo John Locke, onde o mesmo diz que a mente humana é como uma tela em branco que é preenchida por fantasias e experiências que o rodeiam, a geração seguinte - Geração Y - absorve uma ideia negativa do novo estilo artístico, criando, assim, um preconceito na sociedade, desvalorizando tal estilo artístico.

É necessário, também, destacar que a Arte Urbana tem como tema principal a crítica à problemas de cunho sociopolítico e a estigmatização crescente desta arte faz com que uma sociedade para ela apenas como uma espécie de vandalismo e não como forma de protesto, a qual é concebida na maioria das vezes. Dessa forma, os problemas sociais são cada vez mais escanteados, dando lugar ao preconceito à arte e não ao objetivo principal da mesma. Em alguns casos, o preconceito pode até virar caso de polícia, como ocorrido recentemente na cidade de Belo Horizonte, onde uma obra intitulada de ´´Deus é mãe`` do Circuito Urbano de Arte, está sendo investigada por suposto crime ambiental. A obra traz à tona a realidade mães negras e solteiras que se submetem a subempregos para sustentar seus filhos.

Nota-se, portanto, que a questão da valorização da Arte Urbana no Brasil tem muito a ser desenvolvida. Para isso, é fundamental, prioritariamente, acabar com o preconceito em relação a tal arte que está enraizado na sociedade. Logo, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, deve ampliar a grade curricular das escolas brasileiras, incorporando a disciplina Arte Comtemporânea, onde seria ensinado a importância dos variados estilos artíticos comtemporâneos, sobretudo a Arte Urbana. Tal implementação se daria usando, como investimento, 5% do faturamento do turismo brasileiro, já que a Arte Urbana pode atrair turistas. Dessa forma, O estigma sobre essa arte se encerra.