Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
“De um lado, as elites, protegidas sob seus ‘guarda-sóis’, e do outro, os pobres”-metaforizou a antropóloga Lilia Schwarcz ao descrever o panorama brasileiro. Nesse espectro, é nítida a divisão social observada pela teórica, visto que, na nação brasileira, a arte urbana-responsável por trazer “leveza” às problemáticas da realidade- ainda sofre certa marginalização na sociedade. Desse modo, tal questão somada à ausência de investimento estatal se fazem desafios para a valorização deste ramo artístico.
É imprescindível destacar, inicialmente, o movimento musical Manguebeat, o qual denunciou as mazelas sociais encontradas no espaço urbano. Apesar de ser indubitável o impacto positivo desse tipo de arte na sociedade, parcela das elites brasileiras estereotipou o grupo como parte de uma “arte marginal”. Dessarte, urge que esse desafio não seja estendido aos tantos artistas urbanos, a fim de que a relevância das denúncias sociais seja valorizada e reconsiderada no cenário nacional.
Nota-se, ainda, a falta de investimento estatal como barreira para a propagação da arte urbana no país. Dessa forma, é importante a observação do quadro “Guernica”-pincelada pelo pintor Pablo Picasso-, em que há a reprodução do caos da Guerra Civil Espanhola e, de modo contrastante, uma flor traz equilíbrio ao panorama caótico. Fora do universo da pintura, as artes urbanas seriam as flores que fazem com que as cidades não sejam apenas um espaço movimentado e repleto de situações análogas aos desastres trazidos pela Guerra pintada.
À luz dessas considerações, faz-se válida a reflexão sobre os desafios enfrentados pela arte urbana na sociedade brasileira. Por isso, é de extrema imprescindibilidade que o Ministério da Cidadania, em parceria com os órgãos midiáticos, crie anúncios publicitários que incentivem a devida valorização das manifestações artísticas nos espaços urbanos-a fim de “quebrar” os estereótipos de marginalização propagados hodiernamente. Ademais, compete ao Governo a garantia de um salário mínimo aos atuais artistas urbanos visando ao incentivo de tais grupos. Assim, os pobres e ricos estarão “sob os mesmos guarda-sóis”.