Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 26/02/2021
Na obra “Brasil: uma biografia”, as historiadoras Lília Schwarz e Heloisa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas destaca-se “a difícil e tortuosa construção da cidadania”. Embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza. Tal fato é evidenciados no âmbito dos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, tendo em vista que apesar de os brasileiros possuírem o acesso à cultura como um direito, a cultura preconceituosa das massas associada à negligência governamental em promover essa expressão artística faz com que a cidadania não seja gozada de maneira igualitária por todos.
Em primeira análise, tem-se a noção de que a desvalorização da arte de rua no país sofre influência da postura, muitas vezes preconceituosa, de uma grande parte da sociedade, notadamente as classes mais abastadas. Isso acontece, pois ainda que essa expressão artística esteja presente, na contemporaneidade, em todas as localidades da nação, notadamente nos grandes centros urbanos e culturais, suas origens derivam - em grande parte - das periferias. Esse fenômeno de discriminação demonstra não só a tentativa de silenciar as manifestações da artísticas dos grupos mais marginalizados do país, mas também o caráter obsoleto e segregador dos cidadãos cujo lema do país é “Ordem e Progresso”. Logo, fica claro que essa conjuntura problemática representa um grande entrave para o desenvolvimento sociocultural do Brasil, e, assim, necessita de intervenções.
Ademais, a postura negligente do Estado em buscar valorizar arte urbana do país restringe a cidadania dos indivíduos. Sob essa perspectiva, no livro “Vidas secas”, do escritor Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, desprovido do acesso à cultura, acaba sendo explorado e humilhado por aqueles que detém o saber. Nesse viés, sendo a arte uma mera expressão da realidade, hoje são milhares de Fabianos no Brasil. Isso, pois o governo, ao não buscar medidas efetivas que aspirem promover as expressões artísticas de rua no país e, assim, tira-las da condição de marginalização, obriga os cidadãos, notadamente os artistas urbanos, a permanecerem em situação de “menoridade” social.
Nota-se, portanto, que os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil devem ser mitigados. Para tanto, o Estado, em parceria com o Ministério da Educação(MEC), deve promover palestras nas escolas acerca da importância da arte para a expressão dos diversos grupos sociais, as quais devem ser ministradas por professores de arte, bem como por artistas urbanos, a fim de expandir o senso crítico dos alunos e atingir um público maior. Por fim, é preciso que o Executivo crie espaços públicos nas periferias das grandes cidades do país, os quais devem ser voltados para as manifestações artísticas, por meio do apoio da mídia e da imprensa, assim a cidadania poderá ser gozada por todos.