Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
Perante o Artigo 215°, da Constituição Federal de 1988, o Estado compromete-se tanto a valorizar e incentivar as manifestações culturais, quanto a garantir o exercício dos direitos artísticos a qualquer cidadão. Entretanto, esse preceito não está sendo efetivado no Brasil, visto que, as manifestações artísticas urbanas enfrentam inúmeros desafios para serem consideradas um patrimônio cultural. Essa desvalorização persiste devido a negligência Governamental diante do reconhecimento da arte nacional e ao “Habitus” elitista de invalidar os grafismos amadores.
É relevante ressaltar, primeiramente, que a falta de incentivo governamental à arte urbana não provém das beneces que ela trás à cidade, embelezando-a e descontraindo-a, mas sim do que ela denuncia sobre a precária vivência da maioria dos cidadãos. Prova disso, é o registro da primeira pichação histórica no brasil, “Abaixo a ditadura”, escrita em 1968, que veio apenas ser reconhecida, históricamente, anos depois, justo por denunciar o governo daquela época. Em suma, os cidadãos necessitam da sapcência de que o Estado não pode considerar-se democrático, por lei, caso não atenda as minúcias dos brasileiros e que a arte nacional é uma ferramenta para lutarem por seus direitos.
Além disso, outro fator que impede o enaltecimento das manifestações artísticas nas cidades é a disseminação do ideal elitista de que apenas devem ser reconhecidas as pinturas e técnicas clássicas de artistas renomados historicamente. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, essa dinâmica é conhecida como “Habitus”, ou seja, quando uma simbologia segregacionista é interiorizada por um indivíduo, inserido em determinado meio social, e exteriorizada como uma verdade para outrém. Logo, é notória a urgência de uma educação que desconstura os preconceitos históricos existentes sobre o fazer artistico e as formas de manifestações culturais.
Portanto, diante dos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, é imperativo que os cidadãos usem a arte de rua para lutar por suas minúcias relegadas pelo Estado. Isso deve ser feito por meio de uma campanha nacional, na qual artistas urbanos organizarão passeatas em diversos munincípios, as quais terão cartazes e pinturas expondo as falhas democraticas e a importância da arte nas cidades, visando o seu reconhecimento como patrimônio cultural e histórico. Ademais, o Ministério da Educação deve tornar, através de um legislamento, o estudo da arte urbana um assunto obrigatório, nas disciplinas de artes e história do brasil, dos centros educacionais. Visando, dessa forma, cessar o segregacionismo dessa manifestação artística por meio do “habitus”, explicado por Bourndieu, já que os estudantes desconstruirão esse ciclo no meio em que vivem. Por fim, a constituição de 1988, será, de fato, honrada pelos brasileiros e a arte urbana será, finalmente, valorizada e incentivada no País.