Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 24/02/2021

A Semana da Arte Moderna, em 1922, apresentou um caráter rebelde que propunha uma crítica ao academicismo dos parnasianos, assim, estabelecendo uma forma de expressão que valoriza a consciência artística. Atualmente, de modo similar ao modernismo, a arte urbana enfrenta desafios quanto a sua aceitação e valorização na sociedade devido à existência de uma hegemonia cultural aliada ao preconceito e à falta de conhecimento da sociedade.

Inicialmente, é válido analisar a relação entre o pensamento prevalecente e a arte urbana. De acordo com o filósofo Antônio Gramsci, existe uma Hegemonia Cultural, isto é: as classes mais influentes da sociedade impõem seu conjunto de ideias dominantes sobre a coletividade a fim de desarticular a visão autônoma desta. Tal óptica é perceptível por meio da valorização da arte que é mais socialmente aceita - aquela que não propõe uma ruptura com o status quo - em detrimento do grafite, o qual sofre preconceito. Nesse sentido, fica evidente que grande parte da população acata com o que a classe dominante preconiza, apontando para a existência de uma seletividade acerca do fazer artístico a favor daquele que não “perturba” a ordem social estabelecida por quem está no poder e, por conseguinte, a arte urbana acaba sendo desvalorizada.

Em vista disso, é imprescindível que haja o incentivo ao conhecimento sobre esse projeto artístico, uma vez que a desinformação é uma das causas para a existência do preconceito. Segundo o sociólogo Antônio Cândido, a educação por intermédio da arte é uma das formas de sair do superficial e estimular o pensamento crítico. Portanto, nas escolas, deve ocorrer o aprendizado sobre o que é o grafite e o seu objetivo (ressignificação de espaços e incentivar a criticidade), bem como a utilização dessa mesma arte para entender a dinâmica do ambiente urbano. Dessa forma, será possível combater o desafio que é a desinformação e, ainda, prestigiar o grafite.

Logo, é necessário que o Ministério da Educação insira na Base Nacional Comum Curricular aulas que utilizem o grafite para o ensinamento de outros conteúdos, além de mostrar o seu valor artístico. Para tanto, deve haver a aplicação de imagens dessa arte urbana em questões que estimulem o pensamento crítico do aluno, levando-o a refletir sobre as mensagens transmitidas nos desenhos, com o fim de combater os obstáculos que são o preconceito e a desinformação. Outrossim, a arte urbana precisa receber mais visibilidade em todas as camadas sociais com o intuito de existir uma maior aceitação. Esse processo deve ocorrer por meio da inserção do grafite em espaços, como galerias, explicando-o e mostrando o seu valor para o pensamento autônomo. Dessarte, essa arte prevalecerá sobre os desafios e conseguirá uma maior valorização, a exemplo de como foi para os modernistas.