Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 25/02/2021

“Ser artista na cidade / É comer um fiapo / É vestir um farrapo”. Escrita pelo cantor e compositor Chico Buarque, a letra da música “Cidade dos Artistas” destaca os desafios enfrentados pelos desejados que se dedicam integralmente à produção artística no contexto atual brasileiro. Nesse sentido, infelizmente, apesar da ampla diversidade cultural presente no Brasil, nota-se que a arte urbana não é valorizada e reconhecida como tal. Sendo assim, nota-se que os desafio para a valorização das manifestações artísticas de rua são relacionados à inobservância estatal e a um corpo social que estigmatiza a arte.

De início, apesar do Estado dispor de políticas públicas, como o Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC) - instituído pela Lei Rouanet - à falta de amplitude dos programas dificuldade a democratização. Pois, a maioria dos eventos artísticos que incluem o auxílio estatal não têm alto teor midiático e não acerem todas as esferas da sociedade, sobretudo, como minorias. De forma que, o acesso aos conteúdos artísticos tornam-se restritos a determinados grupos - com a ênfase de maior poder aquisitivo - o que corrobora para que os artistas de pequeno porte não tenha o prestígio devido. Ademais, a carência de embasamento da arte no campo educacional também contribui para que a mesma não receba a importância devida, visto que, o ensino público não dispõe de mecanismos que apresentem aos estudantes a arte como modo de expressão, o que dificulta a valorização.

Vale ressaltar, também, que a falta de reconhecimento da arte como um elemento de formação cultural, contribui para a estigmatização. Isso decorre devido ao pensamento errôneo de que a arte é algo de avaliação elitista ou sem importância, o que gera, inclusive, preconceito para com os profissionais da área. Segundo dados do Serviço Nacional do Comércio (SESC, seis em cada dez brasileiros nunca foram ao teatro, o que evidencia uma falta de conquista artística mesmo em eventos conquistados, cujo valor da entrada é baixo. Dessa maneira, o pouco prestígio da arte pela sociedade influi decisivamente para que manifestações, como o grafite, “break dance”, poemas de rua, sejam vistas de forma deturpada, devido à falta de percepção das expressões que a a arte assume.

Portanto, é fundamental a mitigação dos desafios da valorização artística no Brasil. Logo, o Poder Legislativo, deve reformular o PRONAC, priorizando o fomento de incentivos às produções artísticas de atores com pouca ampliação midiática e de projetos que se desenvolvem como minorias como público alvo, com o intuito de democratizar o acesso. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, reestruturar a disciplina de artes, por intermédio da designação de recursos específicos para que as escolas possam realizar aulas mais temáticas e expositivas, buscando disseminar aos alunos, uma visão da arte como algo intrínseco à formação cultural e de acesso universal.