Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 24/02/2021
A urbanização acabou por definir grandes cidades portadoras de caracteríticas únicas. Dentre essas caracteríticas, encontra-se a forma de expressão social presente nas ruas do espaço urbano, a arte urbana. Acompanhando a sua presença nesses ambientes, depara-se com os desafios para a valorização dessa arte devido a existência pertinente de uma visão artítica restritiva que age diretamente sobre a rejeição da arte considerada popular.
Diante do que foi apresentado, a visão artística restritiva foi definida mediante uma cultura erudita cuja qual atingia uma parcela elitista da sociedade. O rebuscamento de materiais, de apresentações e de público fizeram com que essa arte estivesse relacionada a um patamar específico de produções. O que era produzido dentro desses parâmetros se estabeleceu como uma expressão artítica inalcançável perante a grande maioria e, com o passar dos tempos, foi entendido como “cultura de fato”, mentalidade esta limitada sobre as mais variantes formas de demonstrar visões sobre o mundo e excludente em relação a arte que é considerada atualmente popular. A partir dessa limitação, analisa-se muitos movimentos artísticos que se associaram a ambientes de divulgação mais fechados, dedicados, apenas, a uma parcela mais seletiva da sociedade, como os museus.
Com base no elitismo artístico citado anteriormente, a consequência para toda essa estruturação de concepção de cultura erudita foi a não aceitação da concepção de arte daquelas manifestações que tinham como origem e fim o povo. Contrária a arte restrita, as expressões artíticas urbanas levam consigo o caractér popular devido a sua linguagem, exposição e estrutura serem mais alcançáveis a todos, mais aberta, por assim dizer, sendo essa característica o motivo de sua constante desvalorização. É o que acontece com as pichações vistas por uma grande maioria como vandalismo mas, a partir do ponto de vista daquele que produz, é uma forma de revelar a identidade, de protesto, de se fazer olhar.
Em virtude do que foi exposto, põem-se em evidência a necessidade de se trazer uma amplitude quanto compreenssão de arte, levando esse tipo de paradoxo para discurssões em ambientes escolares, onde a educação e a mentalidade sobre as coisas ainda está em grande processo de construção, assim como, realizar medidas que atinjam a valorização da sociedade em relação a arte urbana como o investimento e apoio, por parte do governo, que deem visibilidade aos artistas e suas produções de arte urbana. Assim como Dante Alighieri utilizou uma linguagem mais acessível a todos no período em que escreveu o seu clássico “Divina Comédia” e estabeleceu a herança que se define até os dias atuais, as expressões artíticas vivenciadas nas ruas do espaço urbano carrega sua importância e se define mais marcante a cada dia.