Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 25/02/2021
Em 1922 o evento chamado “semana de arte moderna” inaugurou no Brasil uma nova visão artística, marcada pela inovação. Contudo, a semana de 22 foi recebida de forma negativa pelo grande público composto pela burguesia brasileira que em sua maioria não aceitou a renovação estética. Ao analisarmos o país hoje, percebe-se que a arte no ambiente urbano econtra desafios para a sua valorização:a população adota postura semelhante à de 1922, uma vez que não estimamos as expressões culturais presentes no espaço das cidades, por causa da visão preconceituosa e elitista presentes na sociedade junto ao descaso governamental em relação a esse assunto.
Em primeira análise, é necessário compreender que arte urbana apresenta um conteúdo socialmente relevante de forma expositiva que atinje parte da população. contudo, os preconceitos associados aos artistas, o conteúdo das obras em conjunto com visões elitistas relacionadas às expressões artísticas impedem que a “street art” se consolide sem causar divergências. Desse modo, torna-se cotidiano episódios como o narrado pelo Fantástico em fevereiro de 2021, o qual apresenta em Belo Horizonte um prédio com autorização concedida para ter um mural realizado em sua fachada. No entanto, o caso chegou à polícia por haver pixações que emolduravam a pintura “Deus é mãe”. Nessa mesma reportagem outras contestações a esse tipo de estética são apontadas, o que marca os desafios que cercam essa temática.
Em segundo plano, é relevante discutir o papel governamental acerca da arte de rua. Uma vez que essa manifestação tem papel importante na propagação de crítica social e incentivo à criatividade, os artistas precisam ter seu trabalho assegurado pelo estado. Desse modo, a ideia do sociólogo Pierre Bourdieu de que um mecanismo de democarcia direta não deve ser convertido em opressão simbólica é primordial para evitar a desvalorização da arte urbana, como aconteceu na cidade de São Paulo em 2017, cujo o então prefeito João Dória ordenou que fossem apagadas 8 áreas do maior mural de grafite da américa latina, localizado na avenida 23 de maio.
Sob esse viés, infere-se que a arte urbana deve ser valorizada. Para tanto, urge que a secretaria de cultura em parceria com as mídias de comunicação destinem recursos para o debate acerca da temática, por meio de um programa inter-regional de incentivo à cultura urbana, o qual irá promover nas escolas e mídias sociais a quebra dos preconceitos relacionados aos grafites e “street art”, com o objetivo de despertar o senso crítico da população. Ademais, é mister que o governo federal realize projetos que beneficiem os artistas de rua a fim de cumprir com seu papel democrático. Desse modo, a arte urbana pode superar os obstáculos da desvalorização que já fizeram parte do modernernismo em 1922.