Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 25/02/2021

Na novela “Malhação: Viva a Diferença”, a personagem Lica descobre seu talento para a grafitagem e o utiliza para expressar sua indignação diante das injustiças sociais e na sua instituição escolar. Diante disso, compreende-se que o grafite exerce um importante papel na sociedade no âmbito político-social. Assim, é importante analisar os obstáculos na jornada da valorização da arte urbana a partir dos seguintes pontos: a perpetuação do ideal clássico do que é arte e sua função na formação de indivíduos críticos e ativos na construção de um meio social mais harmônico.

A princípio, faz-se mister pontuar a necessidade de frear a perpetualização da ideialização de arte aos moldes da Grécia Antiga. Com o Dadaísmo, e o Modernismo, foi indagado: o que é arte? Sendo quebrados, aos poucos, os padrões impostos pela história, como ao apresentar o quadro “Abaporu”, de Tarcila do Amaral, que não possui formas realística. Sendo assim, entende-se que a arte de rua segue o mesmo caminho de desconstrução, uma vez que também é uma expressão do que o autor sente e vive. Desse modo, é interessante que o corpo social note as diversas formas artísticas e reconheça a importância do grafite, bem como das danças como o breakdance, para garantir a diversidade que caracteriza o Brasil.

Ademais, é essencial destacar a imprescindibilidade desse viés artístico para assegurar a liberdade de expressão, como na novela. A Globalização promoveu uma uma maior homogeneização das sociedades e, consequentemente, dos ambientes, o que possibilitou a análise feita pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, a respeito da “Modernidade Líquida”, em que os seres passaram a ser banais e acríticos. Com isso, pode-se argumentar que a arte urbana é necessária para torná-los pensantes e reflexivos novamente, já que possuem uma linguagem crítica, a exemplo, o Rap, além de atuar como ferramenta na constante evolução para uma comunidade e chamar a juventude para protagonizar uma transformação nos eixos político e sociocultural. Dessa maneira, é preciso reforçar o papel da cultura urbanística e seu potencial de mudança, a fim de um meio mais equânime.

Infere-se, portanto, que a as manifestações culturais de rua enfrentam desafios para que sejam valorizadas. Tendo em vista isso, cabe aos Governos Federal, Estadual e Municipal, em parceria com instituições educacionais, promover um maior engajamento de jovens em práticas culturais no ambiente urbano por meio de aulas de arte que unam o intelecto à revitalização de imóveis e locais que são negligenciados pelo corpo social, a fim de valorizar a cultura do país e servir de experiência para o mercado de trabalho. Além disso, é interessante enfatizar o papel crítico dessa e incentivar o desenvolvimento desse tipo de arte para que jovens como Lica continuem na busca pela equidade.