Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 25/02/2021

O documentário “Pixo”, lançado em 2014, mostra a realidade de jovens artistas urbanos que, vítimas do processo de afastamento social causado pela grande urbanização na cidade de São Pualo, encontraram na arte de rua uma forma de visibilidade. Fora do filme, o desafio para a valorização da arte urbana no brasil são sequelas de políticas patrimonialistas, que selecionam, de acordo com o que é melhor para os que gerem, o que deve ser reconhecido. Por isso, faz-se necessário avaliar questões socioculturais e econômicas que apontam à problemática.

O primeiro aspecto a se considerar é, sem dúvida, que a ideia de desvalorizar um modelo artístico dificulta o caminho à acessibilidade em um país que poderia enxergar a arte como ampliadora do canal comunicativo de um povo. Nesse sentido, é possível perceber uma espécie de “mimetismo cultural” que mantém a arte urbana em esfera de dominação, configuradas por artes elitistas, como forma de desclassificar a identidade de um grupo, com a intenção de mostrar artes lucrativas e que não sejam gatilhos de reflexão da realidade de como vive a população. Sobre isso, Ermínia Maricato, urbanista, embasou que aspectos gerais da cidade, da arquitetura à manifestação individual, caracteriza os indivíduos.    Para além, mesmo o país sendo múltiplo em culturas, a inclusão da arte urbana não é vista pela elite detentora de poder como uma prioridade, já que jovem periférico ao fazer arte é visto como desocupado, e não como potencial investimento, o que vai contra países que lideram hanking de políticas estratégicas de abordagem da arte, como França e Itália.

Destarte, para ter um país mais amplo nas artes, medidas devem ser seguidas. O Ministério da Cidadania, através das Secretarias de Culturas, deve criar um projeto com o nome “a sua arte”, em oficinas dentro da comunidade, para que crianças e jovens tenham na arte urbana a voz necessária para falarem de sua cultura cotidiana e denunciarem os desgastes das invisibilidade, seja na produção artistica ou na vida no tecido social. Assim, a arte urbana será vista não só pelos “pixos”.