Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 25/02/2021

No contexto do Renascimento Clássico europeu, houve maior investimento no âmbito artístico incentivado pelas classes bem desenvolvidas, que influenciou o mundo todo. Fora do tablado histórico, a arte na conjuntura contemporânea brasileira tem um viés urbanizado e com um papel essencial de denúncia, reflexão e inclusão social, de forma diversificada. No entanto, tal prática artística enfrenta uma série de desafios para sua valorização e consolidação. Esse cenário ocorre em razão não só da manutenção da cultura artística elitista, como também do déficit educacional brasileiro não fomentador da valorização da arte urbana.

A princípio, a desigualdade social histórica brasileira, é uma realidade que norteia o desenvolvimento da sociedade influindo sobre o conhecimento da nação a respeito da relevância da arte urbana como importante ferramenta de denúncia e inclusão, capaz de fortalecer a identidade nacional. Segundo o jornal Folha de São Paulo,  8% da população brasileira sabe ler e escrever proficientemente. Sob essa realidade, é evidente a ausência ou a pouca noção de consciência crítica da maior parte do universo social,dificultando a compreensão da arte de rua como uma unidade social. Nesse contexto, fica limitado a uma classe,detentora de ampla informação e consciência, a transmissão de hábitos e valores, a qual perpetua preconceito e falta de reconhecimento pela arte marginal. Desse modo, a cultura elitista que padroniza a arte é um empecilho para o reconhecimento da arte urbana.

Ademais, o ensino não fomentador do exercício da consciência da riqueza e do importante função no cenário social que a arte de rua tem, demonstra um déficit educacional, sob a lógica da escola não cumprir seu papel de formar cidadãos. Consoante ao método do pedagogo Paulo Freire, a educação deve ser libertadora e conscientizadora para a formação humana. Logo, a falta de reconhecimento da própria arte pela população e da importância da linguagem social que a arte urbana reverbera vai de encontro com a lógica freineana. Dessa forma, dificultando a valorização da arte urbana no Brasil.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem a construção de uma identidade brasileira através da arte de rua. Nesse viés, cabe ao Poder Público, por intermédio da Secretaria da Cultura, promover maior protagonismo do Estado no apoio e em recursos para disseminar a arte urbana, por meio de fornecimento direcionado de recursos para essa área e também de espaços públicos, em todas as cidades,para serem revitalizados por essa forma artística. Além disso, o Ministério da Educação para fomentar o prestígio dessa arte, deve inserir nos parâmetros curriculares a valorização da arte marginal, por meio de projetos sociais que fomente a criatividade e a consciência crítica e a prática em ambientes escolares. Assim, será possível contornar essa realidade.