Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 25/02/2021
A arte está presente no cotidiano de todos, seja por meio da dança, música, leitura, mas ela também está nas ruas: a arte urbana. Esse método de expressão nos centros urbanos é livre para explorar formas e traços variados, bem como pode ter o intuito de apenas embelezar ou protestar, a exemplo do grafite do britânico Banksy que incute uma mensagem ou crítica em suas obras. No entanto, no Brasil, a “street art” ainda não é devidamente valorizada por causa de seu uso indevido que contribui para a poluição urbana e também pela falta de consciência artística de parte da população.
De início, apesar de a arte urbana, desde 2009, ter sido descriminalizada pelo governo brasileiro, ela se torna legal apenas quando o proprietário do muro ou fachada garante seu consentimento. Porém, em um passeio pelas ruas das principais capitais do país, não é incomum encontrar muros, frentes de estabelecimentos, pontes pichadas. Logo, mesmo que seja uma forma de provocação ou uma tentativa de embelezar o espaço, resulta em mais poluição visual no ambiente das cidades e contribui com a errônea impressão popular da “street art” como uma forma de vandalismo.
Paralelo a isso, parte da população brasileira ainda perpetua uma equivocada concepção sobre arte ao rejeitar expressões artísticas fora do “convencional”, ou seja, elitizam-na. Nesse contexto, a arte urbana é compartilha uma história semelhante com o estilo musical “punk rock” que, desde a década de 70, bandas como Ramones, Sex Pistols e Pearl Jam propõem críticas e reflexões em suas músicas e divergem da forma elaborada das composições comuns até então e foram rejeitadas por uma fração da população que sentia-se incomodada com o modo e a letra delas. Entretanto, no Brasil, a “street art” é mais uma vítima da falta de reconhecimento do público, assim como foi o “punk rock” e até mesmo as correntes modernas da arte, como o cubismo de Romero Britto e as obras de Oscar Niemeyer, que colecionam constantes críticas na internet.
Portanto, diante dos desafios para a valorização da arte urbana no Brasil, é importante que os governos estaduais, em conjunto com os departamentos de polícia, implementem uma maior vigilância nas cidades quanto às pichações , por intermédio de câmeras de vigilâncias ou patrulhas periódicas, para prevenir a depreciação de imóveis, a poluição visual e a desvalorização da arte nos centros urbanos. Ademais, é necessário que os governos municipais incentivem a “street art”, ao propor exposições e oferecer áreas para a pintura, além de convidar artistas de outras regiões, com o intuito de mostrar que independente de sua origem ou teor as expressões artísticas são cultura.