Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 26/02/2021

Durante a Semana de Arte Moderna, em 1922, evidenciou-se a necessidade de uma produção artística com caráter mais identitário brasileiro, ou seja, mais distanciada do modelo europeizado. Ao contrário dessa época, em pleno século XXI, o Brasil luta contra a desvalorização de um tipo de arte que resulta das diversas configurações da sociedade: a arte urbana. Embora muitos artistas ganharam reconhecimento por divulgação midiática, ainda existem impecilhos que impedem sua condecoração.

Mormente, ressalta-se que as intervenções artísticas de rua permanecem sendo marginalizadas. A maioria da obras é realizada por grupos minoritários, e por ainda existir preconceito e discriminação sobre essa população desprestigiada, as pessoas interpretam como vandalismo. No entanto, é importante perceber que esse tipo de arte, muitas vezes, tem valor cultural para os grupos, além de ser uma das poucas formas com que eles conseguem expressar-se de fato. Sendo assim, em respeito ao artigo 5⁰ da Constituição, o qual defende a liberdade de manifestação do pensamento e da atividade artística, é prudente a conscientização desses críticos ao fenômeno.

Ademais, o sucateamento da disciplina de arte nas escolas também vai de encontro com a valorização das produções de rua. A matéria é estudada, na maior parte das instituições, somente como uma habilidade manual e uma forma de estimular a criatividade. A arte, porém, tem também importante função social ao passo que permite apresentar uma problemática da sociedade de relevância, incentivar a consciência crítica, e ainda atenuar as frustrações da vida moderna pragmática. O projeto “Aquário Urbano” no centro de São Paulo, por exemplo, objetivava proporcionar para as pessoas que ali circulavam a sensação de estar no fundo do mar.

À vista dessa perspectiva, cabe ao governo, por meio do Ministério da Educação, promover uma melhor qualificação dos professores de arte, baseada no real papel dessa e na sua importância para o meio social. Assim, o órgao deve aprimorar a formação dos docentes a fim de que desenvolvam maneiras de transmitir essa conscientização, como com dinâmicas em salas e discussões com os alunos acerca do tema. Com esses aspectos, será possível, então, restaurar o espírito da Semana de 22 que foi, verdadeiramente, revolucionária.