Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 25/02/2021
Desde o renascimento, movimento artístico, cultural e intelectual ocorrido na Europa a partir do século XIV, a arte é vista como uma forma de trazer “luz” ao mundo e aflorar o senso crítico do ser humano. No atual cenário brasileiro, porém, algumas formas de manifestações artísticas têm sido marginalizadas, a exemplo da arte urbana desenvolvida nas grandes cidades. Isso porque, a perpetuação de preconceitos entre a sociedade a partir de generalizações descabidas, bem como a falta de apoio das autoridades governamentais estabelecem desafios que obscurecem a beleza e importância desse tipo de arte e sua consequência valorização dentro do país.
A princípio, é fundamental destacar a ignorância de uma parcela considerável da população brasileira no que tange as questões artísticas. Para entender tal fenômeno, basta perceber que dentro do sistema educacional nacional, a disciplina de artes, embora prevista pelo MEC, é, em geral, escanteada em relação as demais matérias, com uma carga horária semanal média de apenas 50 minutos. A consequência disso, é a formação que desde cedo, não desenvolvem o senso crítico a respeito desse tema, tornando-se propícios portanto a adesão de ideias e preconceitos amplamente internalizados. Entre tais preconceitos, está a ideia de que a arte de rua, sobretudo a grafitagem, e a pichação são vandalismos desenvolvidos por marginais. A consequência dessa visão acrítica é a desvalorização da arte de rua e de sua capacidade de espelhar a realidade ou até mesmo embelezá-la.
Ademais, vale salientar a falta de suporte do próprio Estado no processo de enaltecimento da “strett art”. Assim como no renascimento, enquanto alguns vinham a arte como “luz e outro a enxergavam como uma afronta subversiva, no Brasil, certos líderes de grandes cidades parecem ainda ser influenciados pela visão massiva e preconceituosa que atinge a sociedade de uma maneira geral no que se refere a tal temática. Sendo assim, a perspectiva da arte de rua apenas como uma afronta impede o aproveitamento do potencial desse tipo de arte como forma não apenas de denunciar as mazelas do país, mas também de alertar a população a respeito de como combatê-las e superá-las.
Nesse sentido, cabe ao Estado, portanto, a responsabilidade de superar tais desafios e reverter tão danosa realidade. Para tanto, o Ministério da Educação deve incentivar um ensino mais engajado da arte nas escolas, através de palestras e programas públicos que busquem destacar não apenas os movimentos artísticos clássicos, mas também os modernos, a exemplo da arte urbana. Outrossim, os governos locais devem perceber a importância da arte na construção do senso cidadão e, em associação com as mídias sociais, estimular a criação dessas manifestações artísticas nos grandes centros urbanos, bem como o engajamento da sociedade,, a fim de construir uma sociedade consciente.