Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 01/03/2021
No período Paleolítico, os homens primitivos retratavam, sobre as paredes rochosas das cavernas, sua forma de interpretar a natureza ao seu redor, tanto na pintura de animais que constituem seu butim de caça quanto a técnica de “mãos em negativo”. Hodiernamente, nos muros, fachadas e prédios, a arte urbana demonstra a variedade de expressões do cotidiano moderno. Contudo, há um embate acerca dos preconceitos associados às artes populares e à sua democratização no Brasil. Todavia, para que haja uma reversão do quadro, faz-se necessário analisar as causas corporativas e educacionais que contribuem para a continuidade da problemática em território nacional.
Deve-se destacar, primeiramente, o grafite, quando realizado com o objetivo de valorizar o patrimônio e autorizado pelos responsáveis do local, como agente transformador da paisagem urbana promovendo o desenvolvimento social, pessoal e profissional dos artistas. Acerca disso, o filósofo Nietzsche afirma que “Temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade”. Sob esse prisma, o estigma relacionado às artes urbanas contribuem com uma tendência segregatória, sustentando a dificuldade em democratizar o acesso a essa forma de expressão e identidade cultural no Brasil.
Ademais, uma análise nos métodos de educação artística no Brasil é necessária. Nesse sentido, observa-se uma insuficiência de conteúdos relativos à aproximação dos indivíduos com a cultura urbana, fruto de uma educação tecnicista e pouco voltada para a educação cidadã do aluno. Tal cenário, reforça a ideia da teórica Vera Maria Candau, que afirma que o sistema educacional está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Dessa forma, com aulas voltadas para a memorização teórica, o sistema perdagógico pouco estimula o contato do estudante com as diversas formas de expressão cultural e artística como o grafite, negligenciando também seu potêncial crítico e didático.
É evidente, portanto, que os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil é agravada por causas corporativas e educacionais. Logo, é necessário que a Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo torne tais obras mais alcançáveis ao corpo social. Para isso, ela deve estabelecer parcerias público-privadas com empresas que patrocinem artistas urbanos, para que seus trabalhos sejam vistos por uma maior quantidade de pessoas. Paralelamente, o Ministério da Educação deve levar o tema às escolas públicas e privadas por meio do acréscimo à Base Nacional Comum Curricular de projetos insterdisciplinares que desperte o interesse do aluno pelo tema. nesse contexto, poder-se-á expandir a ação transformadora da arte e criar um legado duradouro de acesso à cultura no Brasil.