Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 26/02/2021

Durante o século XIX, desenvolveu-se o Parnasianismo, escola literária que se caracterizava pelo destaque dado à perfeição formal e pela criação de um padrão estético para designar o conceito de arte. Atualmente, apesar da criação de novos movimentos artísticos, muitas pessoas ainda defendem esse pensamento parnasiano, o qual prejudica o reconhecimento de outras expressões, como a arte urbana. Desse modo, é importante analisar como o preconceito e a quebra de paradigmas socioculturais representam desafios para a valorização dessas intervenções urbanas no Brasil.

Primeiramente, é válido ressaltar que a criação de um padrão arstístico representa um desafio para o reconhecimento da arte urbana no país. Tal perspectiva baseia-se na teoria do “Habitus”, do sociólogo Bourdieu, o qual afirma que os indivíduos são formados de acordo com os costumes e pensamentos do ambiente em que vivem. A partir dessa concepção, percebe-se que, ao longo dos anos, foram construídos convicções culturais que determinavam o que poderia ou não ser considerado arte. Nesse sentido, as intervenções urbanas, por quebrarem com essa norma estética, sofrem com o preconceito e descaso de pessoas leigas que consideram essas formas de expressão como atos de vandalismo. Essa ideia fica clara ao verificar que a “street art” era criminalizada até o ano de 2009.

Ademais, é necessário destacar que a arte urbana, por valorizar temas da população marginalizada, sofre, muitas vezes, com uma rejeição dos grupos privilegiados. Dessa forma, tal concepção está relacionada as ideias do filósofo Karl Marx, o qual afirma que a infraestrutura dirige a superestrutura, ou seja, a classe dominante é responsável por criar mecanismos que controlam os meios sociais, como a sociedade e a cultura, de acordo com seus interesses econômicos. Com base nessa perspectiva, observa-se que essa expressão artística busca romper com esse domínio e conscientizar os indivíduos mediante conteúdos socialmente relevantes, como temas relativos à pobreza, à desigualddade e ao preconceito. À vista disso, os sujeitos detentores do poder, temendo perderem suas influências sobre a comunidade, criam entraves que prejudicam o reconhecimento e a valorização dessas intervenções urbanas, como a elaboração de uma ideologia que criminaliza essa forma artística.

Logo, para que a arte urbana seja valorizada no Brasil, as escolas devem desenvolver o pensamento crítico dos indivíduos, por meio de aulas e excursões em diferentes ambientes culturais, desde museus a intervenções urbanas, que mostrem suas importâncias, a fim de que os sujeitos superem os padrões impostos e a ideologia parnasiana. Ademais, o Governo tem que incentivar a “street art” mediante a realização de um projeto que, além de auxiliar economicamente, crie parcerias que promovam o alcançe dessa arte a comunidades e metrópoles de todo o país, para que, assim, ela seja reconhecida.