Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
O documentário “Pixo”, dirigido por João Wainer, retrata as origens da pichação, sobre como tornou-se uma expressão urbana paulista desde a ditadura militar no país e relata uma crítica contra os esforços que João Doria promoveu em combate aos muros da cidade. De forma análoga à história do filme, a arte urbana é fundamental no Brasil contemporâneo para complementar a paisagem da urbanização, porém ações de alguns municípios e preconceitos diversos impedem, atualmente, esse tipo de expressão artística. Dessa forma, observa-se que há entraves a serem discutidas sobre os desafios para a valorização da arte de rua no território nacional.
Diante desse cenário, é importante enfatizar que o “street art” é a consolidação da representação artística e cultural da cidade, manifestação essa, em grande parte, de cunho identitário, estético e político de determinado grupo, especialmente jovens vindos da periferia. De acordo com o escritor brasileiro Fernando Pessoa, a arte é a autoexpressão lutando para ser absoluta, já que são inúmeros os casos de perseguição, violência policial, preconceito de classe, ataques de toda ordem da opinião pública fabricada, foram, até hoje, apesar de duros, completamente insuficientes para barrar a manifestação da arte de rua.
Ademais, é importante destacar que grande parte da população enxerga esse tipo de manifestação artística como arte, e outra como depredação. No Brasil, assim como em outros países, a pichação é considerada uma contravenção. Nos termos do artigo 65 da Lei 9.605/98, a Lei dos Crimes Ambientais, a pichação é considerada vandalismo e crime ambiental. Diante disso, algumas cidades adotaram o grafite, que se difere da pichação por sua coloração e forma de escrita, para colorir muros, viadutos e espaços públicos. Nesse sentido, percebe-se a imensidão da intervenção urbana com quem pratica esse tipo de arte e seus direitos negligenciados por causa de uma cultura, em partes, preconceituosa. Sendo assim, esse pensamento acaba tornando-se frequente nas gerações presentes e futuras, o que favorece a discriminação ainda maior dos indivíduos envolvidos.
Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e ideológicas. É necessário, pois, que se reverta esse quadro retrógrado e preconceituoso no Brasil. Logo, o Ministério da Cidadania, em parceria com a mídia, devem fornecer oficinas de arte urbana gratuitas que ensinem novos aprendizes interessados na área a se especializar na arte de rua e como utilizá-la de forma correta, para reduzir a antipatia com essa cultura e aprenderem a importância de sua representatividade no meio urbano. Quem sabe, assim, o fim, por parte das ações dos representantes políticos, de impedir que o “street art” forneça cor e vida às cidades seja uma realidade no Brasil.