Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil

Enviada em 28/02/2021

O livro “1984” do escritor George Orwell, retrata a vida de um homem que vive em uma sociedade comandada por um governo repressivo, em que, os bens culturais disponíveis para consumo são apenas os divulgados pelo partido e hábitos de leitura e escrita são rigidamente proibidos. De forma análoga, fora do universo literário, atos como a predominância de artes elitizadas e a banalização de culturas que denunciam o real são constantes no dia a dia das cidades. Assim, torna-se necessário discutir a arte urbana vista como forma de vandalismo e o preconceito vinculado ao fato dela ter surgido de periférias.

A princípio, não se pode negar que a street art além do encantamento artístico também cumpre um papel crítico na sociedade. Desse modo, as denúncias sociais feitas impactam na vida de pessoas que se negam a enxergar a realidade vingente, que a partir daí julgam essa forma de expressão como vandalismo. Além disso, em muitas vezes esses “vandalos” utilizam esses meios artírticos para fuga de uma realidade de vida muito difícil existente nas períferias. Dessa maneira, indo ao encontro do pensamento de Niestzesche, a arte existe para que a realidade não nos destrua, expõe mais uma vez a necessidade de elementos culturais para a manutenção da vida humana. Com isso, situações como essas contribuem para a não valorização da arte urbana.

Outrossim, são evidentes conceitos inadequados em torno da arte urbanizada por ela ter nascido de comunidades carentes. Dessa forma, as elites brasileiras se negam a ter que enxergar a grandiosidade de artes que advém de pessoas com menos prestígios sociais que os seus, o que faz com que tentem de todas as maneiras silenciar movimentos com esse teor. Assim, não percebem os benefícios que essa arte oferece ao afastar essas pessoas de uma possível vida criminosa e oferecerem a elas sucesso pessoal com seu trabalho. Prova disso, a matéria publicada o BBC News, de crime a arte: a história do grafite nas ruas de São Paulo, mostra a mudança nas vidas de pessoas que residem em subúrbios.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas a fim de mitigar os desafios entorno da valorização da arte urbana. Desta forma, uma escola, a escola principal meio de formação cidadã, deve orientar desde os primeiros anos do ensino fundamental a importância do meio artístico urbano e suas denúncias sociais, através de palestras e aulões que seja possível a apreciação e sentido a riqueza desse método, para que assim os preconceitos deixem gradativamente existir. Além disso, o Ministério da Cidadania, tem de investir e proporcionar maior seguridade a artistas urbanos, através de incentivos fiscais e popularização desse meio de arte, para que, seja visto de modo valorizado. Com isso, a arte urbana e suas peculiaridades seriam consumidas de forma livre, diferente do que se vê no livro 1984.