Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 27/02/2021
Em decorrência da primeira revolução industrial no século XVIII, somado ao êxodo rural e a introdução de uma grande população ao novo mundo urbano e industrial, diversos problemas sociais surgiram nessa época. Em continuidade, o contraste entre a vida luxuosa dos donos dos meios de produção com as mazelas sofridas pelos proletariados trouxe diversas formas de manifestações contra a desigualdade, como a arte urbana. Entretanto, muitas pessoas costumam olhar e interpretar de forma equivocada tais obras e seus contextos, vendo muitos desses trabalhos como poluição visual é algo praticado por jovens que querem apenas sujar a cidade.
Em primeira análise, a frase de Leonardo da Vinci “A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.” retrata perfeitamente a grande motivação por trás da arte de rua, que surgiu da necessidade de expor os estigmas da população periférica, usando de elementos regionais, históricos e bastante uso da ironia, como crítica à repressão das minorias. Dito isso, podemos exemplificar Paulo Ito, brasileiro e com grande destaque no exterior, visto que uma de suas obras retratando um jovem negro chorando por não tem nada para consumir além de uma bola de futebol. Entretanto, ainda é um pensamento da maioria das pessoas que essas pinturas são “apenas uma poluição visual”, isso porque esse estilo demonstra uma forma inusitada de demonstrar problemas sociais.
Em segunda análise, as artes de rua foram consideradas como um mal a ser combatido e marginalizado, principalmente por estar atrelada com a poderosa repressão e censura iniciada com a Ditadura Militar na década de 1960. Todavia, a perseguição contra artistas brasileiros acabou com uma lei aprovada em 2009, legalizando qualquer manifestação artística desde que haja o consentimento do proprietário, algo que mudou o clima de diversos prédios e bairros por todo o Brasil, assim como o Beco do Batman, em São Paulo. Contudo, essa lei não impede que muitas pessoas não gostem dos novos estilos, preferindo muitas vezes os antigos paradigmas, visto que muitas pessoas não conseguem interpretar algumas das mensagens devido ao estilo próprio ou pelas ironias colocadas.
Em suma, uma solução para a valorização dessas formas de representação parte do Ministério da Educação, cabe ao novo Ministro Milton Ribeiro instituir nas escolas públicas um espaço sobre a “Street Art” e sua importância histórica e sua luta a favor da reivindicação de direitos e contra a censura. Outro ponto que vale salientar medidas públicas que podem ser adotadas por prefeitos de cidades, principalmente das capitais dos estados, assim como a divulgação e valorização de encontros e festivais de artistas locais e regionais, além da contratação de artistas que possam produzir alguma obra em um espaço público de grande repercussão.