Os desafios para a valorização da arte urbana no Brasil
Enviada em 28/02/2021
“Se no mapa não constar a utopia, olhemos para ele porque nos está escondendo o principal”. O escritor Oscar Wilde, com essa concepção, defende que crer em um mundo melhor, sem divergências e conflitos, consiste em algo fundamental para a existência humana. Sendo assim, acreditar em um Brasil sem, por exemplo, a desvalorização da arte urbana, pode se caracterizar como um elemento norteador para a obtenção de uma sociedade mais harmônica. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no país.
Inicialmente, compreende-se que o Poder Público mostra-se negligente ao permitir a desvalorização da arte urbana. Isso porque existe uma deficiência no processo de conscientização, uma vez que falta incentivar a população a eliminar os preconceitos contra esse tipo de arte, o que prejudica a popularização das intervenções urbanas artísticas. Sendo assim, verifica-se que o governo não tem assegurado o bem-estar de todos os cidadãos, demostrando, dessa forma, a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo John Locke.
Além disso, destaca-se que aceitar a desvalorização da arte urbana é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa apatia diante da ausência de investimento financeiro estatal, posto que, faltam verbas para implementar pinturas aos muros das cidades, comprometendo, dessa forma a diversidade de manifestações artísticas nas ruas. A banalização desse problema pode ser explicada com base nos estudos da filósofa Hannah Arendt, visto que, em virtude de um processo de massificação social, as pessoas estão perdendo a capacidade de diferenciar o certo do errado.
Convém, portanto, ressaltar que a desvalorização da arte urbana deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização social, priorizando projetos educativos em escolas, com o objetivo de mostrar a importância da arte de rua na liberdade de expressão e nas paisagens das cidades. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante da menosprezo da arte de rua, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de verbas, a partir do ministério competente para a implementação de muralismo. Desse modo, assim como sugeriu Oscar Wilde, seria possível ter uma utopia para se nortear no “mapa” da vida.